O aumento do endividamento dos consumidores goianos acende um alerta para o comércio às vésperas da Black Friday de 2026. Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), Valdir Ribeiro, afirmou que o cenário exige cautela dos lojistas, embora a expectativa seja de movimentação superior à registrada no ano passado.
“O avanço das dívidas pode limitar o poder de compra das famílias, que tendem a pesquisar preços e avaliar melhor as condições de pagamento antes de realizar novas compras”, destaca. Dívidas crescem e pressionam o consumo
Dados da Serasa – GO, mostram que, em agosto de 2026, Goiás tinha 2,71 milhões de consumidores inadimplentes, ante 2,61 milhões no mesmo mês de 2025, aumento de 3,69%. No período, o número de dívidas passou de 9,91 milhões para 10,62 milhões, enquanto o valor total devido subiu de R$ 17,2 bilhões para R$ 19,9 bilhões.
O valor médio das dívidas por consumidor inadimplente também aumentou, de R$ 6.576,15 para R$ 7.344,01. Para Ribeiro, o quadro exige atenção do varejo.
“Esse índice alto de inadimplência acende o sinal amarelo entre os lojistas. O sentimento é de cautela, com um otimismo moderado”, afirma.
“O aumento da inadimplência e, principalmente, do número de dívidas em atraso mostra que muitas famílias estão com o orçamento pressionado. Na Black Friday, o consumidor tende a pesquisar mais, priorizar itens essenciais e buscar condições de pagamento que caibam no bolso sem demandar grandes sacrifícios ao fim do mês”, frisa Valdir Ribeiro.
Itens essenciais ganham prioridade Com o orçamento familiar mais comprometido, a tendência é que os consumidores priorizem despesas essenciais e adiem a compra de produtos de maior valor.
Ribeiro observa que esse comportamento já foi percebido em outras datas comemorativas e pode influenciar o desempenho dos diferentes segmentos do varejo. Apesar disso, a Black Friday tradicionalmente favorece as vendas de eletroeletrônicos, celulares, televisores, computadores e artigos de informática.
Roupas, calçados, acessórios e produtos de perfumaria também podem apresentar boa procura, segundo o presidente da entidade. O dirigente destaca que os lojistas precisam buscar alternativas para atrair clientes sem estimular o endividamento excessivo.
Para ele, o uso de ferramentas que analisam o perfil financeiro dos consumidores pode contribuir para decisões de crédito mais adequadas. “As ferramentas que analisam o perfil financeiro dos clientes estão cada vez mais assertivas, usando inteligência artificial para sugerir margens de crédito e de endividamento que garantam essa sustentabilidade nos pagamentos”, explica.
Ribeiro também alerta para o peso das dívidas bancárias, responsáveis por 61,98% dos débitos em atraso em Goiás, conforme o levantamento citado pela FCDL-GO. “Esse tipo de dívida, por ser impulsionada por juros que se acumulam rapidamente, é uma armadilha perigosa no orçamento das famílias.
E, sem dúvida, compromete o poder de consumo, resultando na queda nas vendas no varejo.” Décimo terceiro sustenta expectativa para o Natal
Apesar das incertezas para a Black Friday, a FCDL-GO mantém uma perspectiva positiva para o fim do ano, especialmente pela entrada do décimo terceiro salário na economia. Ribeiro considera o benefício importante para movimentar o comércio durante o Natal, principal data comemorativa do calendário varejista.
“Neste ano, e considerando a injeção do 13º na economia, a perspectiva é que as vendas no varejo superem, em faturamento, a campanha de Natal de 2025”, ressalta Ribeiro. Para o presidente da entidade, o desempenho da Black Friday será um indicativo importante para as semanas seguintes.
“Vamos aguardar a movimentação na Black Friday, que é o último grande ensaio do comércio antes do Natal e do Ano Novo.” Leia também: Goiás registra alta de 3% nas vendas do varejo puxada por móveis e eletrodomésticos
Jornal Opção