Diversificação de mercados e dependência de insumos são desafios para exportações do Brasil

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

Com uma cadeia de produção agropecuária robusta, o Brasil atualmente o Brasil é o principal exportador líquido mundial de commodities alimentares e agrícolas. Análise do Rabobank ressalta que o país se destaca entre os principais exportadores globais de produtos como soja, café, proteínas animais, açúcar entre outros.

Ainda assim, os produtos agrícolas nacionais devem enfrentar desafios para consolidar sua posição no futuro. Dessa forma, estudo do banco holandês ressalta que o caminho para um crescimento resiliente passará pela redução da dependência de insumos agrícolas e importados, ao mesmo tempo em que se diversificam destinos de exportação e produtos.

Segundo o estudo, o aumento da demanda por importações de produtos agrícolas brasileiros, sobretudo na China e no restante da Ásia, impulsionou o crescimento das exportações. Hoje, o país é de longe o maior destino individual das exportações brasileiras de alimentos e agrícolas, respondendo por cerca de 33% de seu valor total.

A União Europeia e os Estados Unidos, por sua vez, representam juntos 54% das exportações brasileiras de alimentos e agrícolas em valor.

Uma análise setorial ilustra ainda mais o grau de concentração entre os destinos das exportações brasileiras e revela que a China está entre os três principais destinos de 9 das 10 commodities apresentadas. Além disso, os dados mostram que, no caso de 6 dessas 10 commodities, os três principais destinos respondem por mais de 50% das exportações brasileiras “Com os parceiros comerciais mais estratégicos, aprofundar o relacionamento, o diálogo e a compreensão das prioridades, ampliando a capacidade de preparação e adaptação a novos cenários. Essas estratégias ajudarão o agronegócio brasileiro a manter o crescimento das exportações e aumentar sua resiliência em um ambiente geopolítico mais incerto”, disse o Rabobank, no estudo. A diversificação de produtos pode oferecer outro caminho para a resiliência na abertura de mercado. Como exemplo disso, o documento menciona as exportações brasileiras de grãos secos de destilaria (DDG), um coproduto do etanol de milho, eram quase inexistentes há uma década, mas cresceram à medida que a produção doméstica de etanol de milho se expandiu.

Desde 2023, os DDGs brasileiros ganharam acesso a 21 destinos internacionais em um mercado historicamente dominado pelas exportações dos EUA.

Ainda que desejável, o documento reconhece que a diversificação dos mercados de exportação não será fácil de alcançar. No caso da China, por exemplo, o país liderou o crescimento do consumo global de commodities como soja e carne bovina na última década.

No caso dessas duas commodities, o aumento das importações chinesas durante este período foi maior do que o aumento combinado dos demais 10 maiores importadores do mundo. Portanto, no curto prazo a interdependência entre China e Brasil no comércio de alimentos e produtos agrícolas não desaparecerá. E, segundo o Rabobank, o exemplo recente das cotas de carne bovina anunciadas pela China evidencia o dilema causado por uma mudança de postura de um grande parceiro comercial.

Em 2025, o país asiático importou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, equivalente a 48% das exportações totais do Brasil. A cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas para 2026 está, na prática, pressionando os exportadores a redirecionar para outros mercados um volume significativo, equivalente a 17% das exportações de 2025.

“Uma das principais aprendizagens dessa experiência é que, com os parceiros mais relevantes e estratégicos, há uma forte justificativa para aprofundar o relacionamento, o diálogo e a compreensão de suas prioridades. Isso pode contribuir para uma melhor antecipação de possíveis mudanças em suas políticas agrícolas e comerciais, ampliando a capacidade de preparação e adaptação a novos cenários”, disse o Rabobank Novos mercados No longo prazo, o próprio mercado poderá contribuir para parte da diversificação dos mercados de exportação, aponta o relatório. Projeções demográficas das Nações Unidas indicam que o crescimento da população global será impulsionado por regiões como África, Oriente Médio e Sudeste Asiático, enquanto as populações da China e da União Europeia devem diminuir.

“É razoável imaginar que isso seja refletido em certa medida na distribuição da demanda global para importação de commodities agrícolas. Enquanto isso, o Brasil continua, e vai continuar, avançando na melhoria do acesso a mercados existentes e na abertura de novos mercados, apoiado pelos recentes acordos UE-Mercosul, Mercosul-EFTA e Mercosul-Singapura”. Dependência dos insumos O banco ressaltou que a ascensão do Brasil como importante exportador agrícola fez com que o país se tornasse cada vez mais dependente de fertilizantes e defensivos agrícolas importados. Ao mesmo tempo, o crescimento da capacidade local de refino ficou aquém da demanda por combustíveis, e as importações respondem por 25% a 30% do consumo de diesel no Brasil.

Além disso, cerca de 80% de todos os fertilizantes e defensivos agrícolas utilizados no Brasil são importados.

O estudo afirma que a transição geopolítica da globalização e de uma ordem mundial baseada em regras para um ambiente mais fragmentado traz implicações para as relações internacionais e para o comércio. Como exemplo, o Rabobank cita o conflito no Oriente Médio envolvendo os EUA, Israel e Irã gerou choques de preços e preocupações com a oferta de combustíveis e fertilizantes em 2026, repetindo as repercussões da invasão da Ucrânia pela Rússia nesses mercados quatro anos antes. Assim, o banco holandês pontua que a dependência do Brasil de fertilizantes, defensivos agrícolas e diesel importados continua sendo uma vulnerabilidade importante, e investimentos em refino local de petróleo e produção doméstica de fertilizantes serão essenciais para aumentar a resiliência futura.

Como forma de driblar as adversidades para o setor produtivo brasileiro, o Rabobank reforça que o Brasil, grande fornecedor de commodities-chave, possui certo grau de poder de barganha e proteção em situações nas quais a redução das importações brasileiras poderia gerar repercussões negativas para os consumidores no país importador.

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