Disputa por vaga de deputado federal expõe fissuras no PDT de Niterói
O PDT de Niterói atravessa um momento de desconforto interno após o ex-prefeito Axel Grael confirmar a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano. O movimento provocou reação entre lideranças do partido e expôs uma disputa por espaço na legenda, especialmente envolvendo o deputado estadual Vitor Junior, que também se articulava para concorrer ao cargo federal.
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Nos bastidores, havia um acordo para que Vitor buscasse uma cadeira em Brasília, abrindo caminho para que a primeira-dama Fernanda Sixel tentasse uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A entrada de Axel na corrida eleitoral, no entanto, alterou o cenário e levou o parlamentar a demonstrar insatisfação, sob o argumento de que o PDT local não comportaria duas candidaturas competitivas para o mesmo posto.
A tensão aumentou quando Vitor chegou a formalizar a entrega da liderança do partido na Alerj junto ao diretório regional. A decisão, porém, foi revista após um pedido direto do prefeito Rodrigo Neves, principal liderança pedetista na cidade, que atuou para conter o desgaste e preservar a unidade do grupo político.
Desde então, Rodrigo tem se movimentado para acalmar os ânimos e evitar um racha às vésperas do processo eleitoral. Na semana passada, ele participou de uma reunião com Vitor Junior e o prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella — uma das principais lideranças do União Brasil no estado —, encontro que ampliou as especulações sobre uma eventual mudança partidária do deputado estadual.
Em carta aberta divulgada em 31 de janeiro, Vitor afirmou que a decisão individual de Axel Grael “impõe limites objetivos” ao partido e o levou a refletir sobre sua permanência na sigla. Apesar do incômodo, o parlamentar ressaltou que não há rompimento com o projeto político liderado por Rodrigo Neves.
“A conjuntura política atual, diante da decisão individual do ex-prefeito de lançar sua pré-candidatura a deputado federal, impõe limites objetivos. O PDT, neste momento, não comporta dois projetos eleitorais majoritários na cidade”, escreveu.
Permanência estratégica
Mesmo com a possibilidade de trocar de partido, Vitor sinalizou alinhamento com o prefeito e compromisso com o grupo político que governa Niterói. O deputado está em seu primeiro mandato na Alerj e foi eleito em 2022 com mais de 43 mil votos, após três legislaturas como vereador.
Aliados avaliam que, apesar da rusga, o episódio ainda pode ser administrado internamente. A permanência de Vitor no campo político de Rodrigo é vista como estratégica para manter a base unida e preservar o capital eleitoral construído nos últimos anos na cidade.
— Caso Vitor não ganhe uma vaga este ano, ele pode aparecer como um forte nome para assumir alguma secretaria municipal. Essa é uma possibilidade— afirmou uma das fontes ligadas ao partido e que pediu anonimato.
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