Disfunção erétil: saiba como a ciência está indo muito além do Viagra
A disfunção erétil (DE) refere-se à dificuldade persistente de alcançar ou manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória. Ela afeta milhões de homens em todo o mundo, incluindo até um em cada quatro nos Estados Unidos. Além do funcionamento físico, as dificuldades de ereção podem impactar a confiança sexual, a autoestima, a satisfação nos relacionamentos e a qualidade de vida.
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Embora a prevalência aumente com a idade, a idade por si só não explica a DE. Condições médicas como diabetes, doenças cardiovasculares e os efeitos posteriores de cirurgias (especialmente a cirurgia de próstata) podem comprometer a função erétil.
Fatores psicológicos também são comuns. Ansiedade de desempenho, estresse e questões relacionadas ao relacionamento frequentemente causam DE ou interagem com fatores biológicos, tornando a condição complexa, e não um problema único e isolado.
Tratamento para a disfunção erétil
Atualmente, a maioria das abordagens de tratamento inclui medicamentos, terapia sexual ou uma combinação de ambos. Inibidores da fosfodiesterase tipo 5, como Viagra e Cialis, são amplamente prescritos e aumentam o fluxo sanguíneo para o pênis em resposta à estimulação sexual.
A administração sob demanda e a facilidade do uso oral os tornam atraentes. No entanto, não são adequados para todos. Certas condições médicas, efeitos colaterais, preocupações com a redução da espontaneidade, falta de eficácia ou custo podem limitar sua utilidade.
A terapia sexual oferece outra opção de tratamento bem estabelecida. Ela pode ajudar indivíduos e casais a reduzir a ansiedade de desempenho, melhorar a comunicação e a satisfação sexual e reconstruir a confiança sexual. Ainda assim, o acesso é desigual. Custos, filas de espera, limitações geográficas e o estigma impedem muitas pessoas de receber atendimento em tempo adequado.
Ao mesmo tempo, a tecnologia está transformando a forma como a DE é avaliada e tratada. De dispositivos conectados a aplicativos a ambientes imersivos de realidade virtual, novas ferramentas estão ampliando as possibilidades tanto na pesquisa quanto na prática clínica.
Na Cátedra de Pesquisa EROS, estudamos como inovações podem ser integradas ao tratamento da DE. Diversas direções promissoras já estão surgindo.
Monitoramento da saúde erétil: a qualquer hora, em qualquer lugar
Anéis penianos inteligentes estão transformando a avaliação. Esses dispositivos vestíveis são colocados ao redor do pênis durante o sono ou a atividade sexual e coletam dados contínuos sobre a força e a duração da ereção. Os dados são armazenados online, acessíveis por meio de um aplicativo, e podem ser compartilhados com especialistas.
Essas informações são mais objetivas do que o relato do paciente e oferecem mais dados do que uma consulta clínica isolada, permitindo avaliar se as dificuldades são consistentes ou situacionais, ou se estão melhorando com o tratamento.
Dispositivos como o Techring se conectam a aplicativos de smartphone e podem ser usados de forma independente em casa, proporcionando maior privacidade, conveniência e engajamento do paciente.
Realidade virtual
A realidade virtual (RV) cria ambientes imersivos gerados por computador que simulam experiências da vida real. Na pesquisa em saúde sexual, a RV permite examinar a excitação e as respostas eréteis em contextos controlados, mas realistas.
Estudos recentes mostram que homens com DE apresentam respostas diferentes a cenários sexuais em RV em comparação com homens sem a condição. Em 2024, nossa equipe identificou níveis reduzidos de excitação, enquanto outros pesquisadores observaram ereções mais fracas e de menor duração em situações como masturbação, sexo oral e relação sexual com penetração.
Além do diagnóstico, a RV pode ajudar a identificar quais situações são mais desafiadoras para cada indivíduo: atividades específicas, contextos com parceiros ou fatores ambientais. Essas informações podem orientar um planejamento de tratamento mais personalizado, em vez de depender apenas de recomendações generalizadas.
A promessa da medicina regenerativa
A maioria dos tratamentos existentes controla os sintomas, em vez de tratar os danos subjacentes aos tecidos. Abordagens regenerativas, incluindo plasma rico em plaquetas, terapias com células-tronco e terapia por ondas de choque de baixa intensidade, têm como objetivo estimular o crescimento e a reparação de vasos sanguíneos e tecidos.
Estudos pré-clínicos, principalmente em modelos animais, sugerem possíveis melhorias na função erétil e segurança aceitável no curto prazo. Resultados iniciais em humanos para a terapia por ondas de choque indicam possíveis benefícios para o fluxo sanguíneo peniano.
No entanto, essas intervenções ainda são experimentais. Os protocolos não são padronizados e a eficácia e segurança a longo prazo ainda são incertas. São necessários estudos maiores e de alta qualidade em humanos.
Dispositivos a vácuo: uma opção de baixa tecnologia, reinventada
Dispositivos de ereção a vácuo existem há décadas. Eles criam pressão negativa ao redor do pênis para puxar o sangue, e um anel constritor ajuda a manter a ereção.
Modelos mais antigos utilizam uma bomba manual para gerar essa pressão. Já os modelos mais novos funcionam com bateria, são mais silenciosos e podem se conectar a aplicativos, reduzindo o desconforto e o esforço físico exigido pelos modelos antigos.
Embora não sejam novos, os dispositivos a vácuo continuam sendo uma opção valiosa, especialmente para pessoas que não podem usar medicamentos ou preferem abordagens não farmacológicas. Eles também podem ser combinados com medicamentos para um efeito adicional.
Uma nova era para a saúde erétil
Por décadas, o tratamento da DE dependeu fortemente do autorrelato e de um conjunto limitado de opções terapêuticas. Agora, tecnologias vestíveis oferecem dados objetivos em tempo real, a realidade virtual fornece insights sobre fatores situacionais e contextuais, e terapias regenerativas buscam corrigir danos aos tecidos. Até mesmo ferramentas já estabelecidas, como os dispositivos a vácuo, continuam evoluindo.
Juntos, esses avanços sustentam um modelo de cuidado cada vez mais personalizado, orientado por dados e centrado no paciente. Embora muitas dessas tecnologias ainda estejam em desenvolvimento, elas apontam para um futuro em que a disfunção erétil será compreendida e tratada com maior precisão, nuance e sensibilidade.
*Franklin Calazana é doutorando em Psicologia na Université du Québec à Montréal; David Lafortune é professor do Departamento de Sexologia da Université du Québec à Montréal; Éliane Dussault é pesquisadora e professora de Sexologia na Université du Québec à Montréal; e Elisabeth Gordon é médica, terapeuta sexual certificada e membro da International Society for the Study of Women’s Sexual Health.
* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
