Discurso pró-cripto de Trump não consegue frear tombo de sua 'memecoin'
A promessa renovada de Donald Trump de apoiar o crescimento da indústria de criptomoedas nos Estados Unidos não foi suficiente para reacender o apetite por sua própria memecoin, com o $TRUMP caindo 14% no sábado, mesmo enquanto o presidente se dirigia a alguns dos maiores detentores do ativo digital.
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Durante um discurso a portas fechadas no sábado, na Flórida, Trump reiterou seu apoio a um projeto de lei que busca regulamentar o setor, segundo dois participantes e gravações fornecidas à agência Bloomberg.
O discurso principal, de 45 minutos, realizado minutos após ele cancelar a viagem de enviados dos EUA ao Paquistão para negociações de paz com o Irã, também abordou temas como inteligência artificial, a guerra no Irã e tênis com a marca Trump.
— De cabeça, ele não mencionou sua memecoin uma única vez — disse o participante Morten Christensen, que dirige o AirdropAlert.com.
Trump tem abraçado as criptomoedas, e sua família expandiu amplamente seu portfólio de negócios para incluir ativos digitais, como uma stablecoin e mineração de Bitcoin. Após retornar à Casa Branca, ele sancionou uma lei federal que regula stablecoins, um passo que muitos no setor viram como um sinal de que o presidente republicano ajudará a abrir caminho para uma aceitação e uso mais amplos dos principais tokens.
A família Trump já gerou centenas de milhões de dólares com seus empreendimentos em cripto, incluindo a memecoin $TRUMP — lançada poucos dias antes de ele assumir o cargo — e a World Liberty Financial, que já emitiu duas moedas. As declarações financeiras de 2025 do presidente indicam mais de US$ 57 milhões (ou R$ 280 milhões) apenas com a venda de tokens da World Liberty.
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Em seu discurso, Trump reiterou apoio à aprovação da legislação de estrutura de mercado de cripto conhecida como Clarity Act, que está travada no Congresso. Empresas do setor, como a Coinbase, e o sistema bancário têm dificuldade em chegar a um acordo sobre o projeto, o que tem atrasado a agenda de ativos digitais da administração.
O evento em Mar-a-Lago contou com a presença do CEO da Tether, Paolo Ardoino, do bilionário Tim Draper e de Cathie Wood, da ARK Investment Management. Foi organizado pela Fight Fight Fight LLC, emissora da memecoin de Trump, administrada pelo promotor de Trump Bill Zanker.
Os 297 maiores detentores qualificados da memecoin de Trump tiveram acesso à conferência e a um almoço de gala. Os 29 primeiros colocados ainda puderam participar de uma recepção com o presidente antes do evento, embora sua aparição ali tenha sido breve.
Chamando os participantes de “algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo”, Trump reiterou no sábado seu apoio à indústria de criptomoedas, embora tenha evitado dizer que os EUA são a capital mundial do setor, como já havia feito em discursos anteriores.
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— A indústria de criptomoedas foi criada nos Estados Unidos, seu crescimento foi liderado pelos Estados Unidos, e seu futuro será construído nos Estados Unidos e em outros países — disse Trump.
Um ausente notável foi o bilionário Justin Sun. Uma conta em seu nome ocupava o primeiro lugar no ranking para o evento, mas ele confirmou à Bloomberg que não compareceu.
Sun está envolvido em uma disputa com a World Liberty Financial e processou a empresa neste mês, acusando o empreendimento ligado aos Trump de extorsão.
Os participantes do evento receberam brindes como fragrâncias e relógios com a marca Trump. O almoço incluiu carne e frutos do mar, antes do discurso principal, em um evento divulgado como “a conferência de cripto e negócios mais exclusiva do mundo!”
A Fight Fight Fight também apresentou seu novo jogo “Trump Billionaires Club”. Nele, os jogadores tentam expandir seus impérios comprando e desenvolvendo negócios, adquirindo itens digitais colecionáveis e utilizando a memecoin Trump. O lançamento, antes previsto para o fim de dezembro, agora deve ocorrer em maio.
A empresa também anunciou o “$Trump Coin Club”, descrito como “suítes de luxo exclusivas mediante convite nos maiores eventos esportivos do mundo, jantares privados e experiências altamente exclusivas e extraordinárias”.
Assim como no ano passado, a disputa para participar de um evento de Trump impulsionou temporariamente o preço da memecoin. Ela subiu 56% após o anúncio da competição, em março, antes de voltar a cair, segundo a CoinGecko. No sábado, recuou 14%, para US$ 2,56 (cerca de R$ 13) de acordo com o monitor.
A memecoin acumula queda de quase 47% neste ano e de mais de 90% em relação ao pico registrado nos dias que antecederam a posse do presidente no ano passado, também segundo a CoinGecko.
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