Discurso de Charles III no Dia da Commonwealth destacará conflitos e desafios globais
Em meio a tensões internacionais recentes e a debates entre aliados ocidentais, o rei do Reino Unido deve usar um dos eventos mais tradicionais da monarquia britânica para refletir sobre o cenário global atual. Em um discurso previsto para o Dia da Commonwealth, comemorado anualmente na segunda segunda-feira de março (9 de março), o monarca deve destacar os desafios enfrentados por diferentes países e comunidades em um período marcado por crises e transformações rápidas.
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Segundo informações divulgadas pela Fox News, o Charles III deve mencionar “as crescentes pressões dos conflitos” em várias partes do mundo durante a cerimônia que será realizada na Abadia de Westminster. Em uma prévia do discurso, o rei afirma: "Unimo-nos neste Dia da Commonwealth num momento de grandes desafios e grandes possibilidades".
No texto preparado para a ocasião, o monarca também destaca que "Em todo o mundo, comunidades e nações enfrentam as crescentes pressões de conflitos, mudanças climáticas e transformações rápidas. No entanto, é frequentemente em momentos de provação como esses que o espírito duradouro da Commonwealth se revela com mais clareza."
O pronunciamento ocorre pouco mais de uma semana depois de ataques coordenados realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, operação da qual o Reino Unido decidiu não participar. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que a decisão foi tomada com base nos interesses nacionais do país.
A postura britânica gerou críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em declarações recentes, o líder americano criticou a falta de apoio do governo britânico à operação militar. "Não estamos lidando com Winston Churchill", disse Trump ao comentar a posição de Starmer.
O presidente também afirmou não estar satisfeito com a decisão de Londres de bloquear o uso de bases militares britânicas para ataques contra o Irã. "Aliás, eu também não estou satisfeito com o Reino Unido", declarou.
Posteriormente, o Reino Unido autorizou o uso de bases na região apenas para ações defensivas contra possíveis retaliações iranianas. O governo britânico também mobilizou caças militares e planeja enviar um destróier e possivelmente um porta-aviões para reforçar a presença na área.
Trump também mencionou as Ilhas Chagos, território britânico localizado no Oceano Índico, ao criticar a decisão britânica. Segundo ele, teria sido mais conveniente utilizar as instalações da ilha durante a operação. "Teria sido muito mais conveniente pousar ali do que voar por muitas horas extras, então estamos muito surpresos", afirmou.
Em outra declaração, o presidente disse que o Reino Unido tem sido "muito, muito pouco cooperativo com aquela ilha estúpida", acrescentando em seguida: "É uma pena. Aquele país, o Reino Unido, e eu amo aquele país, eu o amo."
No sábado, Trump voltou a criticar o governo britânico em uma publicação na rede social Truth Social. "O Reino Unido, nosso outrora Grande Aliado, talvez o maior de todos, está finalmente considerando seriamente o envio de dois porta-aviões para o Oriente Médio", escreveu. Em seguida, afirmou: "Tudo bem, Primeiro-Ministro Starmer, não precisamos mais deles – mas nos lembraremos. Não precisamos de pessoas que se envolvem em guerras depois que já vencemos!"
Starmer defendeu sua posição durante um discurso no Parlamento britânico, reiterando que o país não participou da ofensiva inicial. "Não esteve envolvido nos ataques iniciais contra o Irã e não participará de nenhuma ação ofensiva agora", disse o primeiro-ministro. Ele acrescentou: "Mas, diante da saraivada de mísseis e drones do Irã, protegeremos nosso povo na região."
Ainda no pronunciamento, Starmer afirmou que respeita a discordância do presidente americano, mas manteve sua decisão. "O presidente Trump expressou sua discordância com nossa decisão de não nos envolvermos nos ataques iniciais, mas é meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha. Foi o que fiz e mantenho minha decisão."
O discurso do rei ocorrerá durante a celebração anual do Dia da Commonwealth, que reúne representantes dos 56 países que integram a comunidade, formada em grande parte por antigas colônias do Império Britânico. A cerimônia na Abadia de Westminster também marcará uma das maiores reuniões da família real desde a prisão do Prince Andrew, ocorrida em 19 de fevereiro.
Na conclusão da prévia divulgada, o monarca afirma: "Trabalhando juntos, podemos garantir que a Commonwealth continue sendo uma força para o bem — alicerçada na comunidade, comprometida com o tipo de sustentabilidade restauradora que traz retorno sobre o investimento, enriquecida pela cultura, firme no cuidado com o nosso planeta e unida na amizade e no serviço ao seu povo."
