Diretora do Festival de Berlim nega censura sobre cineastas pró-Palestina
A diretora do Festival de Berlim negou nesta quarta-feira (18) que censure cineastas pró-Palestina, como alegam mais de 80 atores e diretores, incluindo Javier Bardem e Tilda Swinton, em uma carta aberta publicada no dia anterior.
O festival de cinema "defende a liberdade de expressão dentro dos limites estabelecidos pela lei alemã", afirmou Tricia Tuttle em entrevista à revista Screen. Na terça-feira, mais de 80 atores e diretores assinaram uma declaração, coordenada pelo grupo "Film Workers for Palestine" (Trabalhadores do Cinema pela Palestina), condenando o "silêncio" do Festival de Berlim sobre o "genocÃdio dos palestinos". Eles também acusam a Berlinale de "censurar artistas que se opõem ao genocÃdio em curso perpetrado por Israel contra os palestinos em Gaza".
Tuttle afirma que "discorda veementemente da desinformação apresentada, das alegações imprecisas sobre a Berlinale que não se baseiam em nenhuma evidência ou são anônimas".
A controvérsia surgiu depois que o presidente do júri, Wim Wenders, afirmou na quinta-feira que o cinema deveria "permanecer separado da polÃtica", da qual é "oposição". O momento "não é nada bom para o festival" e é "realmente difÃcil" para a equipe, porque "essas magnÃficas obras de cineastas não estão sendo discutidas como deveriam", lamenta o americano.
A Berlinale diz compreender "a profunda raiva e frustração com o sofrimento do povo de Gaza", mas também representa "muitas pessoas que vivem na Alemanha e que desejam uma compreensão mais matizada da posição de Israel do que talvez o resto do mundo tenha no momento", esclarece Tuttle.
Devido à sua responsabilidade histórica pelo Holocausto, a Alemanha é um dos principais aliados de Israel no mundo, o que gera consideráveis ​​crÃticas, especialmente considerando a situação na Faixa de Gaza.
No canal de televisão Welt, o Ministro da Cultura, Wolfram Weiner, cujo governo financia o festival, defendeu Wim Wenders e Tricia Tuttle, afirmando que eles "conduzem a Berlinale de forma muito equilibrada".
— Liberdade de opinião também significa que, às vezes, temos o direito de não dizer nada. A Berlinale não é uma ONG com uma câmera e um cenário — acrescentou Weiner.
