Diretora de Inteligência dos EUA defende Trump após renúncia de chefe do Contraterrorismo

 

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A diretora de Inteligência Nacional de Trump, Tulsi Gabbard, saiu em defesa do presidente norte-americano depois que Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo e funcionário do governo, renunciou em protesto contra a guerra no Irã nesta manhã.

'Donald Trump foi eleito de forma esmagadora pelo povo americano para ser nosso Presidente e Comandante-em-Chefe", escreveu Gabbard nas redes sociais. "Como nosso Comandante-em-Chefe, ele é responsável por determinar o que é e o que não é uma ameaça iminente, e se deve ou não tomar as medidas que julgar necessárias para proteger a segurança de nossas tropas, do povo americano e de nosso país.'

Na carta de demissão, Kent declarou: "O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação".

Embora Gabbard tenha um histórico de alertas contra a guerra no Irã, em sua postagem ela não mencionou o país, o conflito ou Joe Kent diretamente.

'Após analisar cuidadosamente todas as informações disponíveis, o presidente Trump concluiu que o regime terrorista islâmico no Irã representava uma ameaça iminente e tomou medidas com base nessa conclusão', escreveu ela.

Trump reage à renúncia de chefe de contraterrorismo dos EUA que criticou guerra contra o Irã: 'muito fraco em segurança'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu nesta terça-feira à renúncia de Joseph Kent do cargo de diretor nacional de contraterrorismo. Kent deixou a função alegando não poder permanecer no posto diante de sua discordância em relação ao conflito envolvendo o Irã.

'Eu li a declaração dele", disse Trump. "Sempre achei que ele fosse um cara legal, mas sempre achei que ele fosse fraco em segurança, muito fraco em segurança.(...)Eu não o conhecia bem... Mas quando li a declaração dele, percebi que é bom que ele tenha saído, porque ele disse que o Irã não era uma ameaça. O Irã era uma ameaça, todos os países perceberam a ameaça que o Irã representava.'

Quem é Joe Kent?

Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo.

Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc

Kent é um veterano e político. Como chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joseph era responsável por uma agência encarregada de analisar e detectar ameaças terroristas.

Ele foi confirmado para o cargo em julho passado por 52 votos a 44, e enfrentou forte oposição dos democratas devido a ligações passadas com figuras da extrema-direita e teorias da conspiração. Durante sua campanha para o Congresso em 2022, Kent pagou a Graham Jorgensen, membro do grupo paramilitar de extrema-direita Proud Boys, por serviços de consultoria.

Ele também trabalhou em estreita colaboração com Joey Gibson, fundador do grupo nacionalista cristão Patriot Prayer, e atraiu apoio de diversas figuras da extrema-direita, segundo a Associated Press.

Antes de entrar para o governo do presidente Donald Trump, Kent concorreu duas vezes, sem sucesso, a uma vaga no Congresso pelo estado de Washington. Ele também serviu nas Forças Armadas, participando de 11 missões como membro dos Boinas Verdes, e posteriormente trabalhou na CIA.

A esposa de Kent foi morta em combate em 2019, num atentado na Síria. O casal tinha dois filhos.

Leia o texto de renúncia na íntegra:

'Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo como Diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito imediato.

Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente ao nosso país, e está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano.

Apoio os valores e as políticas externas com as quais o senhor fez campanha em 2016, 2020 e 2024, e que implementou em seu primeiro mandato. Até junho de 2025, o senhor compreendia que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que custou à América as preciosas vidas de nossos compatriotas e drenou a riqueza e a prosperidade de nossa nação.

Em sua primeira administração, o senhor entendeu melhor do que qualquer presidente moderno como aplicar o poder militar de forma decisiva sem nos arrastar para guerras intermináveis. O senhor demonstrou isso ao eliminar Qasam Solamani e ao derrotar o ISIS.

No início desta administração, altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia americana promoveram uma campanha de desinformação que minou completamente sua plataforma 'America First' e incentivou sentimentos pró-guerra para encorajar um conflito com o Irã. Esse efeito de 'câmara de eco'' foi usado para levá-lo a acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e que, se atacássemos imediatamente, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso era uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque, que custou à nossa nação a vida de milhares de nossos melhores homens e mulheres. Não podemos cometer esse erro novamente.

Como veterano que foi enviado ao combate 11 vezes e como marido de uma “Gold Star” que perdeu minha amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas.

Rezo para que o senhor reflita sobre o que estamos fazendo no Irã e por quem estamos fazendo isso. O momento para uma ação corajosa é agora. O senhor pode mudar de rumo e traçar um novo caminho para nossa nação, ou pode permitir que avancemos ainda mais rumo ao declínio e ao caos. A decisão está em suas mãos.

Foi uma honra servir em sua administração e servir à nossa grande nação'.