Diretor da PF, Andrei Rodrigues tem sido correto. No pé de Lula está a lobista Roberta Luchsinger

Diretor da PF, Andrei Rodrigues tem sido correto. No pé de Lula está a lobista Roberta Luchsinger - Foto
Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

Não conheço o diretor geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, nunca o encontrei e logicamente não tenho qualquer procuração para falar em sua defesa. Mas não me contenho em fazer alguns comentários, dado os últimos acontecimentos, que devem ter deixado o delegado extremamente desconfortável.

Parto do pressuposto, conhecendo há décadas a atuação da Polícia Federal, privando como privei da amizade de dirigentes da instituição e tendo exercido, quando em funções públicas, atividades consonantes com o DPF, de que se trata de uma das melhores instituições do Executivo federal, ainda imune, salvo um ou outro deslize, da decadência que atinge o governo federal desde a década de 1990.

Seus componentes têm formação profissional de excelência, passam por concursos rigorosos, e no exercício da função combatem uma das maiores ameaças que pairam hoje sobre os brasileiros: a do crime organizado. E o fazem com um efetivo reduzido, lutando contra a falta de recursos e de atenção de um governo despreparado e sem planejamento.

Andrei Rodrigues tem uma longa carreira de 20 anos, no DPF. Em 2010 foi encarregado da segurança da candidata e depois presidente Dilma Rousseff; em 2014 coordenou a segurança da Copa do Mundo e em 2016, a dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos; coordenou a segurança do candidato e depois presidente Lula da Silva em 2022.

Foi designado diretor-geral de sua corporação em 2023. Acompanha o presidente em muitas de suas dezenas de viagens internacionais.

Não é pouca coisa, e o fez sem deslizes, coisa a que todos nós, mortais, estamos sujeitos. Desde então, no centro mesmo de uma série de abusos, não poderia passar ileso por um vendaval de impropriedades legais que assola o governo federal, de que faz parte, mesmo se mantendo a margem das coisas erradas que esse mesmo governo com frequência e com vontade comete.

E não falo só do Executivo, até mesmo porque não há hoje, no Brasil, uma separação verdadeira dos poderes constituídos. Andrei Rodrigues, mesmo se mantendo discreto — não conheço nenhum comentário seu de caráter político —, não deixa de sentir as ventanias do vendaval eleitoreiro.

Foi afastado do cargo pelo ministro André Mendonça no dia 8 de setembro deste ano e reconduzido pelo ministro Flavio Dino no dia seguinte. A lobista Roberta Luchsinger não se calou.

Se julgou que sua fala entregando a lobista renderia votos, Lula se enganou. A explosiva entrevista de Roberta à Rede CNN deixou o presidente muito mal.

E ela promete muito mais, em delação premiada Não estou presente nos bastidores, mas imagino o furor dos petistas mais empedernidos contra Andrei Rodrigues quando a Polícia Federal encontra os rastros do filho do presidente na questão do roubo aos velhinhos do INSS, como posso imaginar as cobranças da oposição quando Frei Chico, irmão do presidente, passa ileso pelo vendaval.

Não invejo o diretor nessa posição tão delicada quanto turbulenta, nesse momento que vive a nação. Mas o que me move a escrever essas linhas é a declaração de Lula na entrevista dada à TV Globo no dia 15 deste mês de outubro, quando se referiu ao delegado, dizendo que ele não deveria ter ido à festa do banqueiro mafioso Daniel Vorcaro em Londres, que o repreendeu, que as explicações do delegado não foram convincentes e que a permanência de Andrei Rodrigues no cargo de diretor será avaliada após o segundo turno das eleições.

Roberta Luchsinger: ligações perigosas com Lulinha, filha de Lula da Silva | Foto: Reprodução Essa declaração às vésperas da eleição, num momento em que o candidato à reeleição pratica todas as sandices possíveis, elevando os gastos públicos, desde que rendam votos — como prometer transporte público gratuito nos fins de semana, algo econômica e até legalmente impossível de avaliar em suas consequências —, me parece mais uma fala na busca de um punhado a mais de votos do que outra coisa.

Ela deve ter calado fundo no sentimento do Delegado. Digam o que disserem, Andrei Rodrigues vem servindo aos governos petistas com dedicação desde, pelo menos, década e meia.

Se cometeu algum deslize, foi comparecer a uma festa dada por Daniel Vorcaro em Londres, em 2024, onde estavam outras autoridades, como o procurador-geral da República e ministros do STF. Coloque-se o leitor no lugar do delegado: corria o ano de 2024, e Daniel Vorcaro era um banqueiro, não o mafioso que se descobriu só em novembro de 2025.

As mais altas autoridades compareciam ao ágape. Que sinal de alarme existia para avisar Andrei Rodrigues dos perigos que corria? E acrescente-se que, enquanto pululam notícias de vantagens auferidas por altas autoridades, oriundas da bolsa de Daniel Vorcaro, nada disso surge como acusação contra Andrei.

O comportamento de Lula da Silva na busca desesperada por votos — afinal havia perdido no primeiro turno – foi desleal para com o amigo e injusto para com o auxiliar. Não é verdade que o mesmo Lula da Silva recebeu Vorcaro em palácio, fora da agenda, no mesmo ano de 2024? E agora aponta o dedo? E pior: há comentários de propina em dinheiro vivo, de R$ 30 milhões, e não para Andrei.

É fácil sentar-se sobre a cauda e apontar a dos outros, como reza a sabedoria popular … Andrei Rodrigues manteve a discrição de sempre.

Já outra vítima da ganância de Lula por votos, a lobista Roberta Luchsinger, que o presidente classificou como “pilantra”, a despeito de ela ter proximidade com seus familiares e até com ele próprio, não se calou. Se Lula julgou que sua fala entregando a lobista, como ela mesma diz, às piranhas, renderia votos, se enganou.

A explosiva entrevista de Roberta à Rede CNN deixou o presidente muito mal. E ela promete muito mais, em delação premiada. 

Publicação Original Jornal Opção jornalopcao.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →