Diretor da OMS afirma que hantavírus 'não é uma nova covid', mas que novos casos são esperados

 

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, disse em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (12) que a organização já aguarda que sejam confirmados mais casos de hantavírus após o surto em cruzeiro.

Ele afirma que isso se deve ao intervalo entre o primeiro caso de hantavírus no MV Hondius e a sua identificação como tal, bem como às medidas tomadas para impedir a sua propagação.

Durante a coletiva, ele relembrou que o primeiro caso foi em 6 de abril, mas a confirmação só ocorreu quase 20 dias depois, com muita interação entre os passageiros:

'Como vocês sabem, o período de incubação é de seis a oito semanas. Devido a essa interação, enquanto ainda estavam no navio, mesmo tomando algumas medidas preventivas... é de se esperar que haja mais casos', disse.

Na mesma entrevista, Tedros deu ênfase em diversos momentos que o vírus 'não é a próxima COVID', em referência a pandemia de coronavírus.

O tema vem sendo repetido em todas as coletivas de imprensa realizadas pela entidade, e seu diretor-geral chegou a escrever uma carta à população de Tenerife para enfatizar esse ponto, antes da chegada do navio de cruzeiro.

A OMS tem afirmado repetidamente que o risco para o público permanece baixo.

Até o momento, a organização contabiliza nove casos confirmados e suspeitos, porém o governo espanhol já considera esse número de 11, sendo nove confirmados e outros dois prováveis. Segundo a contagem da OMS, três pessoas morreram, um casal holandês de 69 anos e um passageiro alemão.

Espanha afirma que tomou todas as medidas para combater hantavírus e critica diagnóstico dos EUA

Embarcação que teve surto de hantavírus no mar da Espanha.

JORGE GUERRERO/AFP

A Espanha afirmou nesta segunda-feira (11) ter tomado 'todas' as medidas necessárias para evitar a propagação do hantavírus a bordo do navio de cruzeiro.

A declaração das autoridades de saúde espanholas surgiu após o anúncio de dois casos positivos, dois cidadãos americanos e um francês, entre os evacuados nesse domingo (10) do MV Hondius, nas Ilhas Canárias.

'Todas as medidas adotadas desde o início visavam interromper qualquer potencial cadeia de transmissão', declarou o Ministério da Saúde espanhol em um comunicado à imprensa.

Uma mulher francesa e dois americanos que estavam em cruzeiro testaram positivo ou apresentaram sintomas de hantavírus.

Uma francesa evacuada de um navio de cruzeiro desenvolveu sintomas durante o voo para Paris e testou positivo para hantavírus.

Dos 17 passageiros americanos evacuados do navio e levados de avião para o Nebraska, dois também testaram positivo para o hantavírus. Um dos passageiros apresenta sintomas leves e o outro não apresenta nenhum sintoma.

A confirmação veio através de autoridades francesas e americanas, porém a Espanha contesta.

O governo espanhol disse que um epidemiologista do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças avaliou os cidadãos americanos após sua viagem a Cabo Verde, informou o governo espanhol.

'Foi realizado um teste diagnóstico e enviado a dois laboratórios; em um deles, o resultado foi considerado pelas autoridades americanas como um resultado positivo fraco, embora não o tenhamos considerado conclusivo', dizia o comunicado.

'O segundo teste deu negativo. A pessoa em questão não apresentou sintomas enquanto estava em Cabo Verde; no entanto, as autoridades americanas decidiram tratar o caso como positivo', completa a declaração.

Os EUA solicitaram uma operação de evacuação e um voo separados em decorrência do teste e 'decidiram manter a classificação de caso positivo', disse a Espanha.

Em meio a isso, os 17 americanos que eram passageiros do MV Hondius já desembarcaram no estado americano de Nebraska.

Ambulâncias e outros veículos aguardavam na pista do Aeroporto Eppley, em Omaha, para recebê-los.

Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus.

Pippa Low/Divulgação