Diplomacia: por que o Japão devolve pandas à China após mais de 50 anos?
Uma cena de despedida tomou o Zoológico de Ueno, em Tóquio, neste domingo (25). Visitantes se aglomeraram diante do recinto dos pandas gigantes Xiao Xiao e Lei Lei, que deixarão o Japão rumo à China, país que detém a propriedade dos animais. A repatriação ocorre em um momento de escalada das tensões diplomáticas entre os dois países asiáticos.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, os pandas partirão nesta terça-feira (27). Em dezembro, o governo japonês anunciou a antecipação do retorno, inicialmente previsto para fevereiro. Nascidos no zoológico de Ueno em 2021, Xiao Xiao e Lei Lei são filhos de Ri Ri e Shin Shin, que voltaram à China em setembro de 2024. A irmã mais velha do casal, Xiang Xiang, já havia sido enviada de volta em 2023.
Diplomacia dos pandas e contexto político
A devolução encerra um ciclo histórico: será a primeira vez, em mais de meio século, que o Japão ficará sem pandas. Os primeiros exemplares chegaram ao país em 1972, como parte do processo de normalização das relações entre Tóquio e Pequim. Desde então, o envio temporário dos animais integrou a chamada “diplomacia dos pandas”, estratégia adotada pela China para sinalizar boa vontade e estreitar laços com parceiros internacionais.
Não há, até o momento, perspectiva de envio de novos pandas ao Japão. Em declaração recente, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou reconhecer o carinho do público japonês pelos animais. O porta-voz da pasta, Guo Jiakun, disse que Pequim dá boas-vindas aos “amigos japoneses” que queiram visitar os pandas em sua nova casa, conforme noticiou a Folha de S.Paulo. A mensagem, embora cordial, reforça que a permanência dos pandas no exterior segue condicionada ao ambiente diplomático entre os países.
