Dinossauro de 100 milhões de anos descoberto no Maranhão está entre os maiores já encontrados no Brasil; conheça a espécie

Dinossauro de 100 milhões de anos descoberto no Maranhão está entre os maiores já encontrados no Brasil; conheça a espécie - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Uma nova espécie de dinossauro identificada no Brasil está entre as três maiores já encontradas no país. Batizado de Dasosaurus tocantinensis, o animal viveu há cerca de 100 milhões de anos e teve seus fósseis descobertos em 2021, em Davinópolis, no sudoeste do Maranhão, durante obras para a construção de um terminal ferroviário da Brado Logística.

'Ataque a sobrevivência: DiCaprio denuncia devastação e contaminação de rios pelo garimpo ilegal no Xingu Quando é o próximo feriado nacional em 2026? Ano ainda terá cinco folgas e quatro feriadões; saiba quais A pesquisa que descreveu a espécie foi liderada pelo professor Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), e a descrição formal foi publicada em março de 2026 no periódico Journal of Systematic Palaeontology. Além de identificar uma nova espécie, o estudo estabeleceu um novo gênero de dinossauro para o Brasil. Depois de três anos de análises, os pesquisadores classificaram o animal entre os saurópodes e, dentro desse grupo, como um titanossauriforme. Apesar da semelhança entre os nomes, titanossauriformes não são titanossauros. Esses dinossauros eram herbívoros, tinham pescoço comprido e cabeça pequena. — A importância da publicação é que ela é um marco na descrição formal da espécie. Adiciona uma nova espécie de dinossauro para o conhecimento que a gente tem no Brasil — afirmou Elver Mayer. Por que o nome Dasosaurus tocantinensis? O nome escolhido para a nova espécie faz referência à região onde os fósseis foram encontrados. “Tocantinensis” remete ao Tocantins, enquanto “Dasos” vem de uma palavra grega que significa “floresta”. A denominação também está ligada ao ambiente florestal do Maranhão e à vegetação amazônica existente na área da descoberta. O achado permitiu aos pesquisadores não apenas identificar uma nova espécie, mas também estudar as relações evolutivas entre o dinossauro encontrado no Maranhão e espécies descobertas em outros continentes. A escavação e a análise dos fósseis podem ajudar a esclarecer como o animal morreu, de que maneira seus restos foram incorporados ao registro geológico e como os ossos chegaram ao local onde foram encontrados. — São coisas que a gente vai conseguir responder a partir desse primeiro trabalho — afirmou Mayer. Parente de dinossauro encontrado na Espanha A pesquisa identificou semelhanças entre o Dasosaurus tocantinensis e o Garumbatitan morellensis, espécie descrita na Espanha em 2023. O dinossauro espanhol é geologicamente um pouco mais antigo que o encontrado no Maranhão. Modelagens biogeográficas indicam que o grupo provavelmente surgiu na Europa. De acordo com essas análises, os ancestrais do Dasosaurus tocantinensis teriam se dispersado em direção à América do Sul entre 140 e 120 milhões de anos atrás. A dispersão teria ocorrido por rotas que conectavam os continentes e passavam pelo norte da África, em uma época em que essas áreas estavam mais próximas. Uma das características que aproximam as duas espécies são as cristas presentes nas vértebras. As vértebras caudais do Dasosaurus tocantinensis apresentam três estrias de cada lado, característica que, segundo o estudo, também aparece exclusivamente no Garumbatitan morellensis. Os fêmures dos dois animais também apresentam semelhanças, embora existam diferenças em determinados ângulos anatômicos. — Isso é um ponto importante também, porque diz um pouco sobre a questão de angulação que esses ossos adotaram durante o movimento de locomoção entre os continentes — explicou Mayer. Pesquisa reuniu 11 instituições brasileiras Os fósseis do Dasosaurus tocantinensis estão atualmente no Centro de Pesquisa em História Natural e Arqueologia do Maranhão, no Centro Histórico. A pesquisa reuniu 11 instituições públicas brasileiras, que trabalharam em parceria. O estudo envolveu profissionais de diferentes especialidades. — Essa descoberta foi importante também por criar a ligação entre 11 instituições públicas brasileiras que trabalharam em parceria, com profissionais de diferentes especialidades. Acho isso muito positivo para a ciência nacional — afirmou Mayer. Para o professor, a descoberta reforça a importância do Nordeste brasileiro para o estudo da história evolutiva dos saurópodes e de outros grupos mais restritos. O trabalho amplia o conhecimento sobre a diversidade de dinossauros no Brasil e em outras partes do mundo. — A importância da descoberta está em trazer não só um novo personagem, mas também o cenário e uma história, uma biografia para ele — resumiu Mayer.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo