Dino diz que 'pessoas acorrentadas e chicotes' não podem integrar processo eleitoral, em referência indireta a imagens vistas em atos de apoio a Flávio

Dino diz que 'pessoas acorrentadas e chicotes' não podem integrar processo eleitoral, em referência indireta a imagens vistas em atos de apoio a Flávio - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que "pedradas, tiros, chicotes e pessoas acorrentadas, símbolos nazistas e coações nunca mais devem fazer parte de um processo eleitoral". "São condutas ilegais", destacou o ministro em publicação realizada no Instagram nesta manhã, pós eleições.

No post, Dino destacou que a Constituição protege o pluralismo político, mas exige respeito entre "compatriotas". O ministro defendeu "paz e ponderação" após o segundo turno das eleições 2026.

Ainda segundo o ministro, a campanha de 2026 se mostrou "vitoriosa", mais uma vez, porque se chegou ao fim de uma eleição "com a certeza de que outras virão". "Em um país marcado por tantas rupturas institucionais desastrosas, essa persistência democrática deve sempre ser enaltecida", frisou.

A ponderação ocorre após a reta final da campanha presidencial ser marcada por atos de violência por apoiadores de candidatos, tendo alguns deles viralizado nas redes sociais. É o caso de um homem negro que apareceu acorrentado durante um ato de campanha em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em imagens que circulam nas redes sociais, ele surge preso a uma corrente, usando roupas vermelhas com referências ao Partido dos Trabalhadores (PT) e carregando um tridente. Atrás dele, um homem branco segura a corrente e veste roupas nas cores verde e amarelo.

O registro foi feito durante uma manifestação de apoio ao senador realizada no sábado, véspera da eleição, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Após as imagens viralizarem nas redes sociais, o homem que foi filmado enquanto andava com o negro acorrentado negou que a atitude tenha sido racista e justificou o caso como uma "sátira".

As imagens geraram indignação nas redes sociais. Já em uma carreata em Montes Claros (MG), vereadora Iara Pimentel (PT-MG) foi agredida após o carro de som em que ela estava ser atingido por tijolos e garrafas de vidro.

A Polícia Federal investiga o caso. No Rio, uma eleitora com camisa da seleção brasileira com o lema "Meu Partido É o Brasil" e boné de Donald Trump, adereços usados por militantes bolsonaristas, foi filmada realizando uma saudação nazista.

O caso foi registrado na 10ª DP (Botafogo). As imagens mostram pessoas no local a questionando após ter feito a saudação nazista, e há gritos "isso é crime".

Depois, a eleitora se dirige na direção da câmera e pergunta — Você é o que? É comunista?

E a pessoa responde — Eu não sou comunista não, eu sou judeu.

Depois, a eleitora ainda finalizou: "pior ainda", segundo relato recebido pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj).

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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