Dino cobra apuração sobre possível ligação de Zettel e Master com funerárias de São Paulo
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a prefeitura de São Paulo esclareça a relação do empresário Fabiano Zettel e do Banco Master com duas empresas que gerenciam cemitérios da capital paulista.
Em janeiro, conforme mostrou o GLOBO, Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, aparecia no quadro societário da concessionária Cortel. Já outra empresa, a Maya, recebeu empréstimos do Banco Master. Juntas, as duas firmas operam dez dos 22 cemitérios públicos da cidade.
Para o ministro, a prefeitura de São Paulo deve apurar a interferência do Banco Master em empresas concessionárias, "diante da natureza essencial do serviço prestado, que não pode ser atingido por eventual colapso empresarial em face de fatos públicos e notórios". A decisão foi proferida na terça-feira (7).
Na quarta (8), a prefeitura emitiu uma nota sobre a determinação de Dino: "A Prefeitura de São Paulo sugere ao ministro Flávio Dino que pergunte aos colegas de Supremo Tribunal Federal sobre o Banco Master, que é onde se encontra a investigação sobre ações e atos do banco. Os serviços funerários e cemiteriais na cidade de São Paulo estão em pleno funcionamento, sem nenhuma intercorrência, e o município seguirá cumprindo o seu papel de gestor e fiscalizador dos contratos de concessão".
Nesta quinta (9), procurado pelo GLOBO, o prefeito Ricardo Nunes preferiu ressaltar que a gestão municipal não tem competência para saber sobre os empréstimos de empresas privadas.
– O que vi na resposta (da assessoria de imprensa da prefeitura) é o óbvio. É lá no STF que está tramitando a investigação e que tem informações se existe alguma irregularidade ou não. A prefeitura não tem como saber, interferir, nos empréstimos ou aportes em empresas privadas – disse Nunes, que não comentou a atuação de Vettel na administração da Cortel.
Procurada, a Cortel enviou a seguinte nota: " A Cortel São Paulo informa que Fabiano Zettel foi conselheiro da companhia entre 2022 e meados de 2025, não mantendo atualmente qualquer vínculo com a empresa. A Cortel São Paulo informa também que não tem nenhuma exposição ao Banco Master e que suas operações em nada foram afetadas pelo colapso empresarial do referido banco". Já a Maya não respondeu ao GLOBO.
A assessoria do Supremo, ao ser questionada se o ministro gostaria de se pronunciar sobre a nota da prefeitura, enviou o link do processo.
A ação em questão foi movida pelo PC do B e versa sobre a concessão do serviço funerário do município de São Paulo, ocorrida há três anos. O partido elencou uma série de irregularidades, como cobranças abusivas e falta de conservação de cemitérios. No próximo dia 16, haverá uma audiência de conciliação entre as partes.
Já a investigação sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal está a cargo do ministro André Mendonça. Em 4 de março, o magistrado determinou a prisão de Vorcaro e Zettel. Ambos negociam uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e com a Polícia Federal.
