Digimais, de Edir Macedo, deve receber aporte do FGC antes de negócio com BTG

 

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O Banco Digimais, de Edir Macedo, deve receber um aporte de cerca de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de acordo com fontes de mercado. O BTG Pactual, de André Esteves, anunciou na noite de quarta-feira o início de conversas para adquirir o controle da instituição hoje chefiada por Edir Macedo, Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador da TV Record.

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De acordo com um analista de mercado bancário, até a confirmação ou não da compra pelo BTG após as discussões e aprovações das reguladoras, pode ser necessário o aporte, como compra de carteiras de crédito.

— O Digimais tem experimentado há algum tempo problemas na carteira de crédito. Com uma dimensão grande e sem aportes, isso pode levar o banco à insolvência — explica um advogado de uma grande banca brasileira à par das tratativas, em condição de anonimato. O advogado afirma que o Fundo, além de dar garantias em investimentos de até R$ 250 mil para aplicações elegíveis em caso de liquidação de bancos, também fornece suporte para evitar “problemas maiores”, disse.

— O FGC pode realizar operações de suporte, como a compra de carteiras de crédito, dando liquidez às instituições que têm problemas — afirma ele, fazendo um paralelo com esta atuação entre 2010 e 2011, quando bancos de médio porte registraram dificuldades com captações e foram socorridos por medidas parecidas.

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Quando um banco possui dificuldade em captar recursos através de investimentos tradicionais, como o CDB, o estoque disponível para pagamento de resgates pelos clientes é prejudicada, dificultando o pagamento dos saques.

Uma fonte interna do FGC afirma que há sim discussões em andamento, mas que estão no começo. Definições sobre a existência da linha e quais condições sequer foram definidas.

— Há muita água para rolar e muita conta para fazer. Às vezes a turma enxerga o FGC como instituição de caridade, só que não é assim que funciona — disse.

Maurício Quadrado, que foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, chegou a anunciar em janeiro do ano passado a compra do Digimais, negócio abandonado poucos meses depois. Daniel Vorcaro no Banco Master, instituição liquidada em novembro do ano passado. Vorcaro está preso por suspeitas de crime financeiro.

A crise aberta pelas liquidações do conglomerado Master, do Will Bank e, mais recentemente, do Banco Pleno, já causou um rombo na ordem de R$ 50 bilhões no Fundo.

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Balanço com ressalvas

No balanço mais recente, os resultados do segundo semestre de 2025 do Digimais acenderam um alerta em analistas que acompanham o mercado bancário. No espaço dedicado à análise da auditoria externa, a companhia frisa que parte relevante dos ativos do banco possuem ressalvas.

“Não foi possível avaliar a razoabilidade ou potenciais ajustes decorrentes dos efeitos das avaliações”, diz trecho do balanço. O banco possui volume considerável dos ativos aplicados em fundos de investimento, fundos imobiliários e de participações, de R$ 4,2 bilhões.

Deste montante, cerca de R$ 3,1 bilhões estavam em fundos com pontos que chamaram a atenção da auditoria, como a falta de demonstrações financeiras auditadas ou com a última auditoria realizada há mais de seis meses. Ajustes contábeis demonstrados no balanço também foram, na análise da auditoria, impossíveis de serem avaliados com razoabilidade.

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Há duas semanas, em 26 de março, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo em dois níveis, do nível BBB, que ainda enseja um grau de investimento, mas de qualidade mediana, para BB+, nível considerado de especulação.

São, respectivamente, os níveis 9 e 11 da escala da Fitch, que possui 21 níveis.

De acordo com o comunicado, o rebaixamento reflete incertezas sobre a execução do modelo de negócios do banco e a volatilidade do perfil financeiro. Com o encerramento de fundos geridos pela Reag Investimentos após a liquidação da gestora, o resultado do banco foi “fortemente impactado”, necessitando de um aumento de capital de R$ 250 milhões, realizado no mês passado.

A Fitch também cita o processo movido por uma gestora que administra um fundo de direitos creditórios. Aberto em novembro do ano passado, a Yards afirma que o Digimais possuía falhas numa carteira de créditos oferecida para se tornar cotista do fundo, como problemas de lastro.

Procurados, nem o Digimais nem o BTG comentaram.