Dietas específicas estão associadas a menores riscos de câncer colorretal; saiba que alimentos devem ser consumidos
Um estudo de amplo prazo acompanhou quase 1 milhão de adultos nos Estados Unidos e na Europa e descobriu que certas dietas alimentares associadas a menor inflamação e níveis de insulina mais estáveis estavam ligadas a um risco reduzido de câncer colorretal.
As descobertas, publicadas no The American Journal of Clinical Nutrition, reforçam as crescentes evidências de que o que as pessoas comem e como comem pode influenciar significativamente o risco de câncer de cólon e reto — doença que afeta cada vez mais pessoas jovens por conta de estilo de vida.
Para a pesquisa, a equipe analisou dados dietéticos de homens e mulheres acompanhados por uma média de 15 anos, examinando como os padrões alimentares gerais relacionados à inflamação e à resposta à insulina — um hormônio que regula o açúcar no sangue — estavam associados a novos diagnósticos de câncer colorretal.
Eles descobriram que pessoas cujas dietas eram menos inflamatórias e menos propensas a causar picos de insulina apresentaram menor risco de desenvolver câncer colorretal em comparação com aquelas com as dietas não saudáveis.
"Esses resultados reforçam a ideia de que o risco de câncer colorretal não é determinado por um único alimento ou nutriente, mas sim pelo padrão alimentar geral do dia a dia. O que é animador é que observamos indícios de que mesmo pequenas mudanças em direção a padrões alimentares mais saudáveis estiveram associadas a reduções significativas no risco de câncer colorretal ao longo do tempo”, afirmou Mary Playdon, pesquisadora em Controle do Câncer e Ciências Populacionais do Huntsman Cancer Institute e professora associada do Departamento de Nutrição e Fisiologia Integrativa da Universidade de Utah.
Alimentos que devem ser consumidos
Segundo os pesquisadores, o efeito protetor observado no estudo não está ligada a apenas um “superalimento”, mas sim a combinações e proporções específicas de alimentos e bebidas consumidos em conjunto.
Esses padrões incluíam maior ingestão de frutas e vegetais inteiros — particularmente vegetais folhosos verdes e vegetais alaranjados ou amarelos — juntamente com feijões e outras leguminosas, laticínios e bebidas como café e chá. Também incluíam menor consumo de alimentos processados, incluindo carnes vermelhas e bebidas açucaradas.
Câncer colorretal
O câncer colorretal continua sendo um dos cânceres mais diagnosticados em todo o mundo, e as taxas entre adultos jovens têm aumentado nos últimos anos.
Fatores como alimentação, sedentarismo e obesidade são apontados entre os responsáveis. Entre eles, a dieta pobre em alimentos naturais e frescos, mas povoada de embutidos e ultraprocessados parece se destacar em diversos estudos recentes.
Um trabalho feito pelo Cleveland Clinic identificou metabólitos, moléculas derivadas da dieta, especialmente aquelas associadas à carne vermelha e processada, como os principais impulsionadores do risco de câncer colorretal de início jovem. Outro estudo, feito pela Universidade do Sul da Flórida mostrou que gorduras específicas de alimentos ultraprocessados podem aumentar a inflamação relacionada com o desenvolvimento desse tipo de tumor.
Embora o rastreamento continue sendo fundamental para a detecção precoce e melhores resultados, o estudo destaca a dieta como um fator importante e modificável que pode ajudar a reduzir o risco ao longo da vida.
Pessoas nascidas na década de 1990 têm quatro vezes mais chances de desenvolver câncer colorretal do que aquelas nascidas na década de 1960, de acordo com um estudo publicado no ano passado no Journal of the National Cancer Institute, com base em dados da Austrália, Canadá, Reino Unido e Estados Unidos. Atualmente, é a principal causa de morte por câncer entre pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos, de acordo com um estudo publicado no mês passado no periódico JAMA.
Ao focar nos padrões alimentares gerais em vez de regras rígidas ou alimentos individuais, as descobertas oferecem uma mensagem prática e esperançosa: mudanças graduais e sustentáveis em direção a dietas menos inflamatórias podem desempenhar um papel significativo na redução do risco de câncer colorretal ao longo do tempo.
