Diesel e gasolina têm preços estáveis no início de abril, mas acumulam alta de até 23,5% nos postos
Os preços dos combustíveis ficaram estáveis na última semana, interrompendo um ciclo de quatro semanas seguidas de alta, de acordo com o levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Segundo a ANP, o preço médio da gasolina ficou em R$ 6,78 por litro na semana passada (entre os dias 29 de março e quatro de abril), depois de um mês de aumentos. O diesel se manteve em R$ 7,45 por litro, interrompendo quatro semanas de alta. Ainda sim, o aumento do diesel nos postos já chega a 23,56%, enquanto o da gasolina acumula alta de 7,96%
Os dados foram divulgados hoje pela ANP. O cenário é reflexo do conflito no Irã, que elevou o preço do petróleo para acima de US$ 100 por barril. Desde o início da guerra, a gasolina subiu em média nos postos. O diesel também teve avanço de nas últimas cinco semanas.
O aumento ocorre em meio a uma força-tarefa do governo para fiscalizar os valores cobrados aos consumidores nas bombas e redução de impostos, como o PIS Cofins que foi zerado. Além disso, o governo também negocia com os estados o pagamento de uma subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel importado, valor equivalente ao ICMS incidente sobre o produto. Desse total, R$ 0,60 serão bancados pela União e R$ 0,60 pelos estados.
Na semana passada, enquanto o governo tenta costurar um pacote de medidas para deter o impacto da guerra no Oriente Médio nos preços dos combustíveis no Brasil, grandes companhias de distribuição de combustíveis do país decidiram não aderir à subvenção ao óleo diesel.
Para tentar evitar que a escalada das cotações internacionais do petróleo leve à disparada do diesel nas bombas e para as empresas de transporte — alta de custos que tem o potencial de disseminar a inflação —, a União ofereceu pagar R$ 0,32 por litro do combustível para produtores e importadores, referente ao PIS Cofins, que foi zerado.
Em contrapartida, as empresas não podem vender acima de um preço fixado pelo governo. Mas apenas cinco empresas — Petrobras, Refinaria de Mataripe (operada pela Acelen, empresa de energia controlada pelo fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos), Sea Trading Comercial, Midas Distribuidora e Sul Plata Trading — confirmaram adesão à primeira subvenção, informou a ANP.
Segundo especialistas e executivos, alguns ouvidos sob condição de anonimato, boa parte da resistência das empresas está relacionada aos preços máximos fixados pelo governo. Para as importadoras, o limite é de R$ 5,28 a R$ 5,51 por litro, dependendo da região. Já para as distribuidoras que comercializam o diesel produzido no país, o teto é de R$ 3,51 a R$ 3,86 por litro.
Por causa da diferença, mesmo as importadoras e distribuidoras regionais que decidiram aderir à subvenção poderão acabar sem acessar o subsídio. Isso porque a defasagem atual está acima de R$ 3 por litro em relação ao valor praticado pela Petrobras. Ou seja, o valor subsidiado pelo governo não cobriria sequer os custos de importar. Por isso, sob reserva, empresários disseram que é necessário que o governo reavalie a tabela de preços máximos.
