Diarista cai em golpe após receber ligação de homem que se apresentou como advogado da Defensoria Pública
A diarista Andrea Teodoro de Almeida caiu em um golpe após receber a ligação de um homem que se apresentou como advogado da Defensoria Pública. Ele afirmou que Andrea tinha um processo em andamento e que, para não perder a ação, precisaria pagar imediatamente uma suposta taxa ligada à Receita Federal.
Assustada com o tom da ligação, Andrea acabou fazendo um PIX de R$ 2,8 mil para a conta indicada pelo criminoso. O que também contribuiu para que ela acreditasse na história é que, na segunda-feira (9), ela tinha ido à Defensoria Pública, justamente, por causa desse processo. Ao receber aligação o no dia seguinte, imaginou que se tratava de um retorno do próprio órgão.
A patroa dela, Carolina Kircove, foi quem percebeu que algo estava errado e alertou Andrea de que poderia se tratar de um golpe:
"A minha faxineira chegou lá em casa, desesperada com o WhatsApp, numa ligação, um cara se passando por um advogado, falando que era a Defensoria Pública, ela teve segunda-feira na Defensoria Pública, que ela está com um processo lá, ligaram para ela, e aí um cara super grosseiro pressionando ela, dizendo que ela tinha que fazer um pagamento de uma taxa para a Receita Federal, enfim, para liberar, senão ela ia perder o processo dela, dizendo até que não podia desligar a ligação, fazendo um terror psicológico na cabeça dela, enfim, no final, ela fez um pix de R$ 2,8 mil para uma conta maluca que o cara passou. Quando eu cheguei em casa, que eu vi com ela, vi que era golpe, falei para ela desligar a ligação, enfim, ela está aqui desesperada".
Carolina conta que, quando começou a orientar Andrea a desligar a ligação, o criminoso percebeu que havia outras pessoas ouvindo a conversa. Ele então enviou uma mensagem dizendo que o “advogado estava escutando vozes ao fundo” e afirmou que a conversa precisava ser confidencial. Segundo ele, se outras pessoas interferissem, Andrea poderia perder o processo.
"Olha a loucura, quando eu cheguei, ela estava na ligação, e aí eu fiquei falando para ela, não desliga, desliga, desliga, o cara desligou e mandou mensagem para ela, falando, olha, o advogado está ouvindo que tem pessoas no fundo e se não for confidencial você perde o seu processo, ninguém pode interferir no seu processo, cara, que loucura, meu Deus do céu".
A Defensoria Pública explica que dados processuais em geral são públicos, conforme prevê a legislação. Apenas casos específicos, como processos que envolvem violência contra a mulher, crianças e adolescentes, ou quando há determinação judicial, tramitam em sigilo.
Por causa dessa facilidade, criminosos conseguem acessar informações nos sistemas do Judiciário, como no Tribunal de Justiça do Rio, e utilizam esses dados para simular peças processuais e aplicar golpes.
A Defensoria afirma que já tem conhecimento desse tipo de crime, que inclusive já foi alvo de campanhas de alerta, e que os casos estão sendo acompanhados pela Delegacia de Crimes Virtuais. Ainda assim, o órgão ressalta que é importante ampliar a divulgação para evitar que mais pessoas sejam enganadas.
