Diana queria 'casar por amor' devido ao trauma do divórcio dos pais, relata irmão da princesa em novo livro

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Diana Spencer (1961-1997) se tornou uma princesa muito popular ao se casar, em 1981, com o então Príncipe Charles, que hoje é o Rei da Inglaterra. Seu sonho, no entanto, era mais simples: ela só queria "se casar por amor". Foi o que escreveu seu irmão mais novo, Charles Spencer, em "O canto do cisne: Diana, minha irmã" (editora Objetiva), a nova biografia de Lady Di que será lançada na próxima terça-feira (22).

Ao longo das 296 páginas da publicação, da qual O GLOBO teve acesso, com exclusividade, a alguns trechos, Charles Spencer resgata suas memórias com Diana, ambos caçulas de uma família tradicional da aristocracia inglesa, para traçar o que ele defende ser uma espécie de biografia definitiva de sua irmã. Ou, pelo menos, a mais precisa.

"Com o aniversário de trinta anos do falecimento de Diana se aproximando, eu estava mais uma vez recusando intermináveis pedidos de participação em documentários sobre ela. Então pensei: quer saber? Em vez de servir de comentarista em produções que vão seguir as linhas falhas habituais, com segundas intenções estabelecidas por um produtor de TV que jamais vou conhecer ou por uma rede a qual nunca vou assistir, vou contar as coisas conforme me lembro, colocá-las no papel de uma vez por todas, para sempre", escreveu Spencer no trecho ao qual O GLOBO teve acesso.

Diana Spencer se casou com o então príncipe Charles em 29 de julho de 1981, em uma cerimônia na Catedral de St. Paul, em Londres. O casal permaneceu junto por 11 anos e teve dois filhos, William, em 1982, e Harry, em 1984. A relação, porém, se deteriorou ao longo do tempo, e os dois anunciaram a separação em 1992, oficializando o divórcio quatro anos depois. Em 31 de agosto de 1997, um ano após o fim do casamento, Diana morreu aos 36 anos em um acidente de carro no túnel da Place de l'Alma, em Paris. A morte da princesa provocou uma onda de comoção e luto público no Reino Unido e em diversos países. "Diana exalava magnetismo, mas, ao contrário de atrizes do primeiro escalão ou princesas do pop, nunca precisava vender um produto para continuar sob os holofotes. Membro da realeza por meio do casamento, tinha uma espécie singular de status e poder, destinados a durar até seu último suspiro. E isso a transformou em outro tipo de produto — um produto midiático. Boa parte da cobertura feita sobre ela mundo afora era muito positiva. Seu casamento foi assistido por 750 milhões de pessoas, mas esse foi só o começo. Ela seria capa da revista People, dos Estados Unidos, 45 vezes. Seu funeral — com uma audiência de 2,5 bilhões de pessoas — continua sendo um dos eventos mais assistidos da história da televisão", diz a biografia de Lady Di escrita pelo irmão.

Apesar do status de princesa e da enorme popularidade que alcançou, Diana só queria "casar por amor". Segundo o irmão, esse sonho era uma resposta ao trauma do divórcio dos pais, que marcou sua família.

"Enquanto sua carreira, por assim dizer, se desenvolvia organicamente, seus princípios básicos jamais vacilaram. Diana havia sido criada com um objetivo claro em mente: casar-se por amor. Ela tinha certeza de que não havia nada mais importante, pois desse modo poderia evitar o divórcio pelo qual nossos pais haviam passado e se dedicar aos filhos que sempre desejara", escreveu Spencer.

Polêmica com o Rei Charles III Depois que um trecho do livro "O canto do cisne: Diana, minha irmã" foi divulgado pelo Daily Mail, na Inglaterra, o Rei Chales III teve de fazer um raro pronunciamento para se explicar. Isto porque, na biografia de sua irmã, Charles Spencer deu um relato polêmico. Ele conta que, depois da morte de Diana, recebeu de um assessor sênior do Palácio a informação de que os príncipes William e Harry, então com 15 e 12 anos, deveriam caminhar ao lado do caixão da mãe durante o cortejo fúnebre. Spencer considerou a decisão inaceitável e disse acreditar que Diana não teria desejado a participação dos filhos no cortejo.

Em uma conversa sobre o assunto com o príncipe, o irmão de Diana teria ouvido do monarca uma frase que interpretou como uma demonstração de desprezo por Diana e de incômodo com a repercussão mundial de sua morte: “Fiquem tranquilos, nós a esqueceremos em breve”. Segundo ele, foram necessários alguns segundos para reagir antes de desligar o telefone: “Não acredito que você acabou de dizer isso”. Diante da divulgação do relato, o Rei Charles III se pronunciou por meio de um porta-voz. "Embora não comentemos livros por princípio, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraternal pode nublar a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda."

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