Diálogo entre Lula e Trump é boa notícia, com resultados práticos ainda incertos, diz analista - QTU Questões do Universo

Diálogo entre Lula e Trump é boa notícia, com resultados práticos ainda incertos, diz analista

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A conversa cordial entre os presidentes Lula e Trump por telefone é uma boa notícia e mostra que a diplomacia brasileira está trabalhando para a volta à normalidade na relação entre os países.
A questão é se terá algum efeito prático, especialmente em relação ao tarifaço.
Na conversa, Lula disse que as tarifas são injustas e prejudiciais tanto aos brasileiros quanto aos americanos.
Para o professor Leonardo Paes Neves, analista do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional (NPII) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e professor do Departamento de Relações Internacionais da Faculdade Ibmec, Lula tem conseguido, quando se encontra ou conversa com Trump, estabelecer um tom de cordialidade.
Carne com tarifa liberada por Trump é do mesmo corte exportado pelo Brasil para a China
- A conversa entre os dois sempre foi bastante amistosa, até surpreendentemente amistosa, considerando a maneira como o Trump eventualmente trata determinados líderes.
A gente já viu isso com (Cyril) Ramaphosa , da África do Sul, com (Volodymyr) Zelensky, da Ucrânia.
Lula fez o papel dele de tentar mostrar que as tarifas são ruins para o Brasil, mas também para os Estados Unidos.
Tentou mostrar que o Brasil já está adotando uma série de ações relacionadas ao crime organizado, ao Comando Vermelho e ao PCC.
E que a ideia de classificar essas organizações como terroristas é equivocada, porque não ajuda e só prejudica não só o Brasil, mas também os Estados Unidos.
A notícia ruim, segundo o professor, é que, apesar da cordialidade de Trump, o presidente americano não toma decisões e delega a funcionários adequados o acompanhamento do assunto.
Nesse caso, seria o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que tem uma posição ideológica forte em relação à região e vem defendendo muitos dos argumentos da família Bolsonaro sobre a situação no Brasil.

- Acho que essa ligação vai ter pouco efeito prático, no final das contas, porque a gente está em um contexto de eleição e porque isso aparentemente está indo para a seara do Marco Rubio para decidir.
Naturalmente, ameniza um pouco, pelo menos, o humor do Trump, na medida em que o Lula consegue estabelecer algum grau de cordialidade com ele.
Mas acho que vamos ter pouco efeito prático.

Para Márcio Sette Fortes, ex-diretor do Brasil no BID, não adianta apenas demonstrar repúdio às tarifas, pois são os mesmos argumentos defendidos há pouco mais de um mês na audiência pública do USTR.
- E não basta seguir a linha de afirmar que o diálogo é o melhor caminho, enquanto seguíamos pela análise da viabilidade da aplicação da Lei da Reciprocidade.
Para ele, é preciso ter pragmatismo negocial.
Segundo Fortes, Reino Unido, Canadá e a própria China conseguiram estancar severas tarifas punitivas e melhorar o perfil de seus relacionamentos comerciais com os Estados Unidos.