Dia Mundial Sem Carne convida à reflexão sobre hábitos alimentares e consciência ética

 

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Celebrado anualmente em 20 de março, o Dia Mundial Sem Carne propõe uma pausa para reflexão sobre os impactos do consumo de proteína animal e incentiva a adoção de alternativas alimentares mais conscientes. Quem adotou essa diferente forma de vida ressalta a importância de proteger a vida e os direitos dos animais, e a riqueza que as alimentações brasileira e amazônica oferecem de produtos de origem vegetal para todos consumirem.


A família de Frank Albert e Patrícia Souza, da Terra Firme, adotaram o veganismo dentro da sua rotina há vários anos. “Eu iniciei vegetariana e um ano depois eu conheci o veganismo com o Frank, há 12 anos, até então eu não havia conhecido ninguém vegano. Com o tempo eu vim a entender a questão animal e ambiental. Se eu não preciso, porque eu vou continuar consumindo carne?!”, falou Patrícia.


O casal que possui atualmente um restaurante delivery exclusivo para comida vegana – o Veg Casa (@vegcasa) – dá palestras e cursos sobre esse tipo de comida. Frank e Patrícia fabricam alimentos veganos muito parecidos aos alimentos de origem animal vendidos em qualquer supermercado. Eles produzem pratos como steaks, kibes, rosbifes e salsichas totalmente vegetais. As receitas fazem com que os alimentos tenham textura, cores e sabor bem próximo às carnes. “Já teve um caso de uma senhora que pediu uma maniçoba vegana que ligou para reclamar dizendo que tínhamos mandado uma maniçoba com carne de porco. Eu tive que explicar que todos os alimentos que produzimos são veganos”, conta Frank.


Para eles, os hábitos alimentares dos amazônidas propiciam a adoção de uma alimentação vegana já é composto boa parte dos pratos do dia-a-dia são compostos por vegetais como o feijão, arroz, salada e farinha. É preciso um esforço para a adaptação para substituir a carne e os produtos de origem animal. “Eu pensei eu moro na Amazônia. Eu tenho manga, banana, açaí, tem muita coisa. Eu moro em um país tropical então tem muita coisa que dá para fazer. Hoje nós damos oficinas de substituição da proteína animal pela proteína vegetal”, afirma Frank. “Quando eu conheci o veganismo eu achei uma coisa impossível, mas aos poucos eu fui construindo uma ideia de que era possível consumir”, complementa.


Um dos alimentos que mais o casal trabalha é com a jaca. Frank desenvolveu um processo de defumação de jaca que a transforma praticamente em um rosbife. “É uma das frutas que mais a gente gosta de trabalhar. É muito boa”, declara Patrícia. O filho do casal Zion Souza, de 8 anos, cresceu com uma alimentação vegana desde os primeiros anos de vida. “A gente deixa conhecer os alimentos. É muito para uma criança reconhecer os alimentos. Ele sabe o que é uma beringela, sabe o que é uma abobrinha. Ele conhece as frutas regionais”, explica a mãe Patrícia.


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O empresário do ramo de restaurantes Francisco Sridhara não consome carne. “Ao evitar o consumo de carne, seguimos esse princípio de respeito à vida. Isso contribui para uma mente mais equilibrada e uma vida espiritual mais desenvolvida”, disse (Foto: Carmem Helena | O Liberal)


Para o empresário do ramo de restaurantes Francisco Sridhara, adepto do vegetarianismo há mais de quatro décadas, a alimentação vai além da nutrição e está diretamente ligada à consciência e à espiritualidade. Adepto da religião Hare Krishna, a escolha alimentar segue o princípio da ahimsa, que prega o respeito à vida. “Ao evitar o consumo de carne, seguimos esse princípio. Isso contribui para uma mente mais equilibrada e uma vida espiritual mais desenvolvida”, afirma.


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Francisco explica que sua transição para uma dieta sem carne ocorreu de forma natural, acompanhando sua jornada espiritual. Inicialmente motivado por questões éticas, ele passou a questionar o consumo de carne ao considerar inadequado sacrificar a vida de um animal para o próprio prazer. “Foi um susto no começo, mas não foi difícil. Quando tive acesso a essa informação, consegui processar de forma rápida. A mudança foi gradual, mas firme, e sigo assim há mais de 40 anos”, relata.


Ele se define como lacto-vegetariano, ou seja, inclui leite e derivados na alimentação, mas exclui totalmente carne, peixe e ovos. Na prática, sua dieta é baseada em ingredientes naturais e preparada com cuidado, também carregando um significado espiritual. “Os alimentos são oferecidos a Krishna (Deus) antes do consumo”, explica.


Benefícios: leveza e maior disposição diária


Entre os principais benefícios percebidos ao longo dos anos, o empresário destaca a leveza e a maior disposição no dia a dia, além de melhorias na digestão. Ele também observa impactos positivos no equilíbrio mental e emocional. “É inegável a sensação de leveza e a digestão mais fácil. E, como empresário no setor de alimentação vegetariana, escuto relatos frequentes de clientes que notam mudanças significativas na saúde e no bem-estar após deixarem de consumir carne”, diz.


Para Francisco, o Dia Mundial Sem Carne tem um papel importante ao incentivar a reflexão sobre hábitos muitas vezes adotados sem questionamento. “É uma data que convida as pessoas a experimentarem algo novo e a repensarem suas escolhas”, avalia.


Ele também ressalta que a data ajuda a desmistificar a ideia de que uma alimentação sem carne é limitada. “É uma oportunidade de mostrar que é possível ter uma alimentação saborosa, acessível, equilibrada do ponto de vista nutricional e benéfica para a saúde, mesmo sem carne no prato”, conclui.