Dia Internacional do Chá reforça importância do consumo consciente da bebida

Dia Internacional do Chá reforça importância do consumo consciente da bebida

 

Fonte: Bandeira



Presente na rotina de muitas pessoas, seja no café da manhã, após as refeições ou antes de dormir, o chá se consolidou como uma das bebidas mais consumidas no mundo. Além do sabor e da praticidade, diferentes tipos de infusão também são procurados por quem busca melhorar a digestão, relaxar ou até complementar hábitos mais saudáveis. Nesta quinta-feira, 21, data em que é celebrado o Dia Internacional do Chá, especialistas reforçam os benefícios e os cuidados necessários com o consumo da bebida.


Segundo a nutricionista Luciana Brasil, especialista em Atenção ao Paciente Crítico pela Universidade Federal do Pará (UFPA), os chás naturais funcionam como aliados do organismo por serem ricos em compostos antioxidantes.


“O chá é tipo uma farmácia natural. Quando consumimos infusões feitas da planta original, como a Camellia sinensis, que dá origem aos chás verde, branco e preto, oferecemos ao corpo uma grande quantidade de antioxidantes”, explica. De acordo com a especialista, o hábito ajuda no combate ao envelhecimento celular e contribui para a saúde cardiovascular e metabólica.


Além dos benefícios gerais, alguns tipos de chá também podem auxiliar em situações específicas do dia a dia. Para problemas digestivos, por exemplo, a nutricionista recomenda ervas como hortelã, boldo, gengibre e espinheira-santa, conhecidas por ajudarem a aliviar desconfortos como gases e sensação de estufamento.


Relaxamento e qualidade do sono


Já para quem busca relaxamento e melhora da qualidade do sono, opções como camomila, erva-cidreira, mulungu e passiflora são indicadas. “Essas ervas ajudam a preparar o corpo para desacelerar e ter uma noite de sono mais tranquila”, afirma.


Apesar da fama de alguns chás associados ao emagrecimento, Luciana Brasil faz um alerta sobre promessas milagrosas. Segundo ela, bebidas como chá verde e hibisco podem auxiliar no metabolismo e na redução da retenção de líquidos, mas não promovem perda de peso de forma isolada.


“Não existe chá milagroso. O emagrecimento depende de uma combinação entre alimentação equilibrada, atividade física e controle calórico. O chá pode ser um parceiro importante nesse processo, mas não faz milagre sozinho”, ressalta.


A recomendação para adultos saudáveis é consumir entre três e quatro xícaras por dia, o equivalente a cerca de 600 a 800 mililitros. A especialista orienta ainda variar os tipos de ervas ao longo da semana para evitar excesso de determinadas substâncias no organismo.


O consumo exagerado, entretanto, pode trazer riscos. A nutricionista alerta que alguns chás possuem efeitos diuréticos e podem provocar perda excessiva de líquidos e minerais. Além disso, pessoas com diabetes, pressão baixa, gestantes e lactantes devem ter atenção redobrada, já que algumas ervas podem interagir com medicamentos ou apresentar contraindicações.


“É importante lembrar que o chá não substitui acompanhamento médico nem tratamento adequado para doenças. Em casos de infecções, por exemplo, ele pode aliviar sintomas, mas não elimina a causa do problema”, destaca.


Em um estado de clima quente como o Pará, a especialista sugere alternativas refrescantes para incluir a bebida no cotidiano. Uma das opções é o “cold brew”, infusão preparada a frio e mantida na geladeira, podendo ser combinada com limão e hortelã.


Outra dica é substituir o café do fim da tarde por chás calmantes e com pouco açúcar. “Criar pequenos rituais de autocuidado com o chá pode ser uma forma simples e prazerosa de cuidar da saúde no dia a dia”, conclui.


Rotina


Para a cabeleireira Célia Cunha, o chá já faz parte da rotina há muitos anos, principalmente como forma de relaxar antes de dormir. Segundo ela, bebidas à base de camomila, erva-cidreira e maracujá ajudam a aliviar a agitação do dia a dia.


“Costumo tomar aquele composto de maracujá, erva-cidreira e camomila. Gosto muito de tomar à noite, antes de dormir. É mais para acalmar e relaxar mesmo”, conta. Ela lembra ainda que, em determinado momento, chegou a receber recomendação médica para manter o hábito no período noturno. “Me sinto calma, principalmente com o de camomila. Eu gosto muito”, acrescenta.


Apesar da experiência positiva, Célia Cunha afirma que aprendeu, na prática, que o consumo excessivo pode trazer consequências. “Teve uma vez que eu comprei a sementinha de erva-doce, fervi e fiz. Mas eu fiz muito forte que me atacou o fígado”, relata. Atualmente, ela prefere consumir chás prontos para preparo.


A cabeleireira também guarda lembranças afetivas ligadas ao consumo das ervas naturais. “A minha mãe plantava capim-marinho e colhia do quintal. Aí a gente tomava”, relembra. Entre os favoritos, ela destaca o chá de erva-doce. “Quando a gente está muito agitada, com preocupação, pode tomar, que ele acalma mesmo”, diz.


Mesmo defensora do consumo, Célia Cunha ressalta que os chás não substituem tratamentos médicos. “A gente tem que ter cuidado para não tomar muito. É bom, mas não substitui um remédio que o médico vai indicar para aquele problema que a pessoa está sentindo”, reconhece.