Dia Internacional da Família: pets integram vínculo familiar e reforçam cuidado e afeto
Os animais domésticos vêm ganhando espaço nos últimos anos dentro dos núcleos familiares. Mais que apenas protetores do lar, eles são vistos como companheiros e presença constante para momentos de instabilidade. No Dia Internacional da Família, celebrado nesta sexta-feira (15), os pets ensinam sobre cuidado e afeto, como explica a psicóloga especialista em vínculo humano-animal, Juliana Sato. Ela destaca que ter um animalzinho é uma forma de criar pontos de encontro emocional em meio à rotina da família.
“É o cachorro que faz todo mundo se reunir na sala, o gato que vira assunto no meio do dia, o momento do passeio, da alimentação, das brincadeiras e mesmo do cuidado da saúde de forma integral desde o cuidado diário, momentos de atenção à saúde até a finitude”, diz. Dessa forma, os pets criam pontes afetivas dentro dos lares, fortalecendo a convivência, troca afetiva e proximidade entre os membros da família.
VEJA MAIS
[[(standard.Article) Tatuadora promove ação solidária com desconto em tattoos em Belém]]
[[(standard.Article) Quantas vezes por dia cães devem comer? E gatos? Saiba quando oferecer ração aos pets em casa]]
É comum que famílias que antes viviam no automático voltem a compartilhar experiências com a chegada de um animal doméstico. Isso porque o afeto entre um ser humano e seu animal possui uma configuração própria, ao longo de uma convivência que não se encaixa bem em categorias utilizadas na psicologia para descrever outros tipos de amor, reforçando seu caráter único.
As relações com os animais são construídas no não-verbal, no ritmo compartilhado do dia, na forma como o animal responde à presença de quem cuida dele e como quem cuida aprende a ler o que o animal comunica sem palavras, segundo Juliana Sato. Em casos de dificuldades de convivência ou expressão afetiva nas famílias, os animais podem ser essenciais para demonstrações de afeto de quem não consegue transparecer o sentimento com facilidade.
“Já acompanhei situações em que pais e filhos voltaram a conversar mais por conta dos cuidados compartilhados com o animal, casais que conseguiram reconstruir um caminho de diálogo e conexão emocional e até pessoas muito fechadas afetivamente que passaram a demonstrar carinho de uma forma mais espontânea através do vínculo com o pet”, relembra a psicóloga.
Ter um animal de estimação alerta toda a dinâmica emocional da casa. Eles exigem presença, rotina, organização e interação. Ao mesmo tempo, também oferecem afeto, previsibilidade e companhia, ainda que seja de forma silenciosa. Com a chegada dos pets, o ambiente ganha maior troca emocional e movimento afetivo, já que eles podem ajudar a quebrar silêncios incômodos, aproximar pessoas e trazer uma sensação de acolhimento.
Para crianças, adolescentes e adultos, o cuidado com um animal é uma forma de desenvolver empatia, responsabilidade emocional e demonstrar carinho. No caso de crianças, elas aprendem que existe um outro ser que depende dela e aprende a compartilhar espaços coletivos. Já os adolescentes encontram no pet uma forma mais segura de demonstrar afeto.
“E os adultos também são atravessados por isso, principalmente quando começam a perceber que cuidar não é apenas suprir necessidades básicas, mas construir vínculo, presença e responsabilidade emocional, muitas vezes até prepara pessoas para a parentalidade”, explica Juliana Sato. O contato com os animais frequentemente amplia a empatia porque ele exige percepção do outro, sensibilidade ao entorno e capacidade de reconhecer necessidades que nem sempre são verbalizadas.
Segundo Juliana, durante momentos difíceis, como luto, ansiedade, separação ou isolamento, os pets assumem um papel de suporte emocional, oferecendo companhia, apoio, rotina e sensação de continuidade da vida. “Muitas pessoas relatam que foi o animal quem ajudou a atravessar períodos extremamente difíceis justamente porque o vínculo com ele traz presença emocional sem julgamento, sem cobrança e sem necessidade de explicação”, avalia.
A psicóloga reforça que os animais trazem um direcionamento para emoções complexas, mas isso não significa romantizá-los como solução para sofrimento psíquico. “O vínculo humano-animal pode funcionar como uma importante fonte de regulação emocional, acolhimento e sustentação afetiva em períodos de crise, por isso eles são tão presentes hoje em nossa sociedade”, finaliza.
