Atire o primeiro copo americano o cervejeiro que nunca pensou em como seria bom se a bebida não engordasse.
A divagação segue na utopia, mas entrou no radar das fabricantes.
Basta uma ida ao supermercado para ver como as versões sem glúten de marcas consagradas ganharam espaço nas prateleiras, ostentando selos de redução calórica nos rótulos.
De olho na tendência, reunimos três experts para um teste às cegas dessa novidade: a crítica de gastronomia do jornal O Globo, Luciana Fróes; a chef Katia Barbosa e o mestre cervejeiro Leonardo Botto.
Mas, antes de molharmos o bico, vamos às considerações de Annie Schtscherbyna, do curso de Nutrição da UFRJ.
A professora lembra que celíacos devem prestar atenção nas letras miúdas, já que algumas podem trazer traços de glúten, o que já é suficiente para causar reações.
Para quem está de olho nas calorias, os produtos têm, de fato, vantagens em relação aos rótulos convencionais, desde que consumidos moderadamente.
Ou seja, não dá para beber como se fosse suco natural.
“Tenho receio de que as pessoas comecem a achar que se trata de uma bebida saudável”, pondera Annie.
“O consumo de álcool está associado a diversos tipos de câncer e não existe dose segura.”
Botto, Katia e Luciana fizeram a degustação às cegas
Ana Branco
Sigamos, então, com o teste.
Os jurados avaliaram aspectos como sabor, aroma e aparência, e os trabalhos foram abertos com a mais nova integrante do segmento: a Heineken Ultimate.
“Um pouco ‘aguadinha’, né?”, comentou Luciana.
“Gostei da ‘refrescância’.
É meio ‘cariocona’”, emendou Katia.
A segunda a entrar na roda foi a Praya, que animou um pouco mais o grupo.
“Sinto um pêssego aqui”, avisou a chef, sobre o aroma.
“Ela é herbácea.
Tem um lúpulo aparecendo levemente”, completou Botto.
Veio, então, a Amstel Ultra, que não empolgou.
“Para quem não gosta de cerveja ou põe um ‘limãozinho’ na bebida, pode ser uma boa opção”, sugeriu o mestre cervejeiro.
A rodada seguinte foi de Michelob Ultra, que também não causou entusiasmo.
“Nem cheiro tem”, observou Luciana.
Entraram em campo, então, as marcas que mais agradaram.
A Therezópolis chamou atenção já pela espuma.
“Essa dá ‘bigode’”, brincou a crítica, acompanhada por Katia: “Olha o lúpulo chegando! É leve, mas tem um amarguinho”.
Botto acrescentou: “Tem um pouco de malte, algo que não apareceu nas outras”.
A saideira ficou com a Stella Pure Gold.
“É cremosa na boca, a espuma veio densa”, disse Katia, que, assim como os colegas, optou pelo empate das duas últimas na primeira posição.
“Ambas estão com uma aparência legal, bem filtradas”, avaliou Botto.
Confira o ranking a seguir.
01 Therezópolis e Stella Pure Gold
Empatadas no topo do ranking, a primeira tem 4,5% de teor alcoólico e cerca de 12% menos calorias que uma versão regular da marca.
No caso da Pure Gold, esses mesmos números são 4,3% e 17%
02 Praya
Lançada no começo do ano, ela possui 4,8% de teor alcoólico e uma long neck tem 125 calorias (a comum tem 158)
03 Heineken Ultimate
Com teor alcoólico 30% menor em relação à versão regular, a long neck possui 97 calorias (a clássica tem 140)
04 Amstel Ultra
Esta versão chega a oferecer 30% a menos calorias, e o teor alcoólico fica em 4%
05 Michelob
A fabricante promete 80% a menos de carboidratos e 85 calorias na long neck.
Já o teor alcoólico é de 4,2%
Teste às cegas compara cervejas sem glúten e reduzidas em calorias
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