O dólar passou a registrar forte queda frente ao iene no fim da manhã desta quinta-feira (30), e operadores suspeitam de uma nova intervenção no câmbio pelo governo do Japão.
A moeda americana intensificou o movimento visto mais cedo, em meio à frustração dos investidores com a postura do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na véspera, e após dados de crescimento econômico nos Estados Unidos abaixo do esperado.
Por volta das 12h15 (de Brasília), o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de outras seis moedas fortes, recuava 0,74%, aos 100,138 pontos, ampliando significativamente a desvalorização vista mais cedo.
O movimento é impulsionado pela forte queda de 2,36% do dólar em relação ao iene japonês, cotado a 159,522 ienes.
Ao longo desta semana, a moeda americana chegou a tocar 164 ienes.
As autoridades no Japão têm atuado para conter a desvalorização da moeda nos últimos meses, com intervenções verbais e uma injeção recorde de 11,7 trilhões de ienes nos mercados entre o fim de abril e o começo de maio.
A possível intervenção desta quinta-feira ocorre um dia antes da decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ), para a qual os economistas esperam uma manutenção do juro básico em 1% ao ano.
Traders e operadores de câmbio ouvidos pelo Valor afirmam que o movimento do dólar mais fraco globalmente é resultado da combinação de ajustes por conta do Fed menos conservador e pela possível intervenção do governo japonês no mercado cambial.
“Me parece que essa intervenção é o maior ‘driver’ [orientador] do dólar mais fraco globalmente hoje”, diz um gestor de moedas.
“E isso ocorre no dia em que o BoJ deve se reunir.
Então gera ainda mais cautela”, afirma.
Em tese, o iene mais forte deveria engatilhar um enfraquecimento de moedas ligadas à estratégia de ‘carry-trade’, já que a divisa japonesa costuma ser a ponta de “funding” da estratégia, ou seja, o local onde o investidor toma dinheiro emprestado para aplicar em outro mercado.
Quando o custo sobe, essa operação costuma ficar mais cara.
“Mas não estamos vendo isso, e já tinha ocorrido algo semelhante neste ano, com outra intervenção, e o real, por exemplo, não ficou mais fraco.
Só o dólar enfraqueceu.”
Soichiro Koriyama/Bloomberg
