As represas do interior paulista se consolidam como a nova fronteira do mercado imobiliário de alto padrão.
Nos últimos anos, esses destinos vêm recebendo condomínios de luxo que combinam terrenos com vistas e marinas com infraestrutura completa para barcos.
A ideia é oferecer uma experiência náutica aos proprietários, com opção da prática de esportes aquáticos, sem a necessidade de longos deslocamentos até a praia mais próxima.
Um dos lançamentos mais recentes é o Atlantis One, da Tom Incorporadora, em Igaratá, a 80 quilômetros da capital.
O empreendimento ocupa uma área de 160 mil metros quadrados, conectada à represa da cidade, interligada a outra importante represa do interior do estado, a do Jaguari.
A infraestrutura náutica será composta por um iate clube, píer flutuante para atracação, 30 vagas secas e 30 molhadas para barcos de até 48 pés.
Os proprietários de casas que tenham barcos ancorados ali contarão com concierge especial, com serviços demandados por aplicativo.
“O cliente poderá solicitar seu barco para uso no final de semana, já limpo, abastecido e com marinheiro.
E, caso deseje tomar o café da manhã ou fazer um churrasco a bordo, o concierge organizará tudo: até um carrinho de golfe para buscar a família na porta de casa”, informa Raphael Mazzeo, sócio da Tom Incorporadora.
O condomínio foi lançado em 2025, com 85 lotes entre mil e 1,6 mil metros quadrados.
Em julho, restavam apenas 16 disponíveis.
O valor médio dos terrenos está em R$ 2,5 milhões, com VGV estimado em R$ 260 milhões.
“O sucesso comercial do projeto comprova a tese: paulistas e paulistanos gostam do lazer náutico, mas não querem passar horas na estrada para chegar ao litoral”, comenta Mazzeo.
Além da experiência com barco, os futuros proprietários poderão usufruir de arenas esportivas desenvolvidas pela NR Sports, sócia do projeto, academia de marca internacional e um “mall” com 20 lojas.
A liberação para a construção das casas está prevista para janeiro do próximo ano.
O condomínio Portofino também teve alta performance de vendas.
Localizado em Piedade, a 110 quilômetros da capital, fica às margens da Represa Itupararanga e tem três quilômetros de orla no empreendimento.
São 404 lotes de 1,25 mil a 3 mil metros quadrados, e cerca de 70% deles já foram negociados.
O valor do metro quadrado está em R$ 1,7 mil.
No condomínio Portofino, uma marina para barcos de até 23 pés promete ser uma das principais atrações do projeto
ECOLOTES / DIVULGAÇÃO
O projeto traz a assinatura do arquiteto Gui Mattos, com paisagismo do escritório Burle Marx, e tem campo de golfe de nove buracos, projetado pelo expert norte-americano Dan Blankenship, já em funcionamento.
“A marina ficará pronta em novembro, com 132 vagas secas neste primeiro momento, mais um píer de atracação com capacidade operacional para 12 barcos, com 23 pés de comprimento máximo”, explica Juraci Matos, sócio-diretor da Eco Lotes.
O executivo concorda que as represas são uma alternativa para o turismo náutico, cada vez mais comprometido nas cidades litorâneas do estado.
Ele desataca ainda a alta disseminação da cultura da prática de esportes aquáticos no interior paulista.
“Tem muita gente que pratica ‘wake board’, vela ou gosta de andar de jet ski e que vive fora da capital.
São modalidades que podem ser praticadas com mais segurança em uma represa do que no mar”, analisa Matos.
Ainda no apelo esportivo, o Portofino conta com quatro quadras de tênis (duas de saibro e duas com piso rápido), quatro de “beach tennis”, quadras poliesportivas e um campo de futebol society.
O empreendimento fica em uma Área de Proteção Ambiental (APA), com 494 mil metros quadrados, sendo 186 mil de território preservado, que passou por um processo de recomposição da Mata Atlântica feito pela incorporadora, com o plantio de mais de 60 mil árvores de espécies nativas.
No Sul, condomínio tem canais navegáveis
A tendência de condomínios residenciais conectados a represas, rios e lagos também tem representantes em outras regiões do país.
Em Eldorado do Sul, cidade vizinha a Porto Alegre (RS), a urbanizadora Arcádia, do Grupo Melnick, assina o Ponta da Figueira Marina, às margens do lago do Rio Guaíba e a 18 minutos de carro do tradicional bairro Três Figueiras, na capital.
Com 305 lotes a partir de 600 metros quadrados, o projeto tem como diferencial canais navegáveis, que permitem estacionar os barcos na porta de casa.
“É um conjunto de condomínios residenciais integrados à natureza, com ciclovias, praças e canais, por onde o morador pode chegar ou sair”, explica Leandro Melnick, CEO do Grupo Melnick.
O empreendimento tem clube com piscina de borda infinita e praia privativa artificial, construída junto à marina, e um centro de esportes com 16 mil metros quadrados, com quatro quadras de tênis cobertas e descobertas, poliesportiva, para “paddle”, pista de skate e campo de futebol.
Segundo o executivo, a proposta atende à carência de condomínios horizontais de alto padrão para moradia na capital gaúcha.
“Além disso, é um projeto com potencial de transformar a região ao redor, pois coloca o Guaíba no centro geográfico da cidade, permitindo que as pessoas usufruam desta grande riqueza natural que a cidade tem”, ressalta.
Em Eldorado do Sul, ao lado da capital Porto Alegre (RS), o empreendimento Ponta da Figueira Marina tem canais navegáveis às margens do Rio Guaíba
DIVULGAÇÃO / MELNICK
Represas do interior: o novo litoral do luxo
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