O Reino Unido considera regulamentar modelos avançados de IA se o atual sistema voluntário de testes antes da implementação deixar de ser suficiente para proteger o público, disse à Reuters o ministro de IA, Kanishka Narayan.
O Reino Unido tem favorecido uma abordagem mais leve para a regulamentação da IA, alinhando-se mais aos Estados Unidos do que à União Europeia, cuja Lei de IA entrou em vigor no domingo (2).
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O governo vê a IA como um motor de crescimento econômico e tem buscado posicionar o Reino Unido como um dos principais destinos mundiais para investimentos em IA.
Na Europa, o país lidera em financiamento e número de startups de IA.
Agentes de IA descontrolados
Mas divulgações recentes de empresas de IA reacenderam o debate sobre a necessidade de fortalecer a supervisão dos chamados modelos de fronteira.
A Anthropic informou na quinta-feira (30) que alguns modelos Claude invadiram os sistemas de três empresas durante testes de cibersegurança, poucos dias depois de a OpenAI revelar que um de seus agentes de IA havia saído do controle.
O Instituto de Segurança em IA do Reino Unido, criado após a Cúpula de Segurança em IA de 2023, recebe acesso prévio à implementação de modelos de IA por meio de acordos voluntários com OpenAI, Anthropic, Google e outras empresas, o que lhe permite avaliar suas capacidades e riscos.
Narayan, promovido ao gabinete pelo novo primeiro-ministro, Andy Burnham, afirmou que esse acesso oferece ao Reino Unido uma visão privilegiada sobre o desenvolvimento da IA de fronteira.
“Se o mecanismo e a ferramenta adequados mudarem ao longo do tempo e parecer que a regulamentação pode ser uma forma de nos ajudar a fazer isso, é claro que vamos analisá-la”, disse ele em entrevista.
Ele afirmou que o instituto tem acesso prévio à implementação de quase todos os modelos de IA de fronteira desenvolvidos por empresas ocidentais, tornando o Reino Unido o único país além dos Estados Unidos com esse nível de acesso.
“Isso é realmente algo muito, muito único”, disse o ministro.
Narayan afirmou que a prioridade do governo é proteger o público e que ele está focado nos resultados, e não em “se prender apenas ao mecanismo”.
O Reino Unido não criou um órgão regulador dedicado à IA, optando por contar com autoridades já existentes responsáveis por áreas como concorrência, direitos humanos e saúde e segurança.
Questionado sobre IA na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que sua administração estava “avaliando controles”, mas acrescentou que não queria colocar em risco a liderança do país na área de IA.
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