É recomendado manter o GPS sempre ativado no celular? Entenda impactos - QTU Questões do Universo

É recomendado manter o GPS sempre ativado no celular? Entenda impactos

Fonte: Bandeira da fonte

Deixar o GPS do celular sempre ligado é um hábito comum para quem usa mapas, aplicativos de transporte e serviços de entrega.
Ao mesmo tempo, muita gente acredita que manter a localização ativada drena a bateria continuamente ou expõe a rotina do usuário a riscos desnecessários.
A resposta, segundo especialistas ouvidos pelo TechTudo, não é tão simples: o impacto depende de como o recurso é usado, de quais aplicativos têm acesso à localização e de que tipo de permissão foi concedida a cada um deles.

Uma coisa, porém, é consenso entre os entrevistados: manter a localização ativa sem qualquer controle amplia a quantidade de dados que podem ser coletados sobre deslocamentos, hábitos e lugares frequentados.
Entender quando o GPS realmente consome mais energia, quais aplicativos precisam dessa permissão e em que situações vale desligá-lo ajuda a encontrar um equilíbrio entre conveniência, bateria e privacidade.
Veja, nas linhas a seguir, o que dizem os especialistas.
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É recomendado manter o GPS sempre ativado no celular? Entenda impactos
Reprodução/Getty Images
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GPS ligado gasta bateria?
A resposta é: depende.
Diferente do que muita gente imagina, manter a opção de localização ativada nas configurações do celular não significa, por si só, que o GPS esteja funcionando continuamente, consumindo energia.
O maior impacto na bateria acontece quando um aplicativo solicita a localização de forma constante e com alta precisão, como durante uma navegação no Google Maps, um registro no Strava ou uma viagem pelo Uber.
Segundo o presidente da GlobalTech e especialista em tecnologia Dhiego Soares, existe um equívoco comum em relação ao funcionamento do recurso.

"O GPS em modo de espera consome menos de 1 miliwatt (mW), algo insignificante.
O gasto real acontece quando um aplicativo está ativamente solicitando coordenadas de alta precisão", explica.

Além disso, o impacto na bateria depende da frequência com que os aplicativos acessam a localização, mantendo o receptor de GPS em funcionamento e processando continuamente os sinais recebidos.
Aplicativos como Waze e Google Maps demandam localização de forma constante
Reprodução/Freepik
Aplicativos que utilizam a localização de forma frequente tendem a aumentar esse consumo energético.
Isso porque o smartphone se comunica não apenas com os satélites, mas também com redes Wi-Fi e torres de telefonia por meio do chamado A-GPS (Assisted GPS), tecnologia que auxilia na obtenção de uma localização mais rápida e precisa.
O consumo também pode aumentar em ambientes onde o sinal é ruim, como túneis, estacionamentos subterrâneos ou regiões montanhosas.
Nesses locais, o smartphone faz mais tentativas para localizar os satélites, o que pode acelerar o gasto da bateria.
Privacidade: vale deixar o GPS ligado?
Na avaliação dos especialistas ouvidos pelo TechTudo, a resposta também depende da forma como a localização é utilizada.
A recomendação é conceder acesso apenas aos aplicativos que realmente precisam desse recurso e, sempre que possível, limitar a permissão para funcionar somente durante o uso.

O principal risco é permitir que aplicativos coletem o histórico de deslocamentos mesmo quando não estão sendo utilizados.
Esses dados podem ser usados para personalizar anúncios e, em caso de vazamentos, expor informações sensíveis sobre a rotina do usuário — a exemplo do que ocorreu em junho deste ano, quando uma atualização do Instagram passou a exibir a localização exata de usuários no Brasil.
A Meta desativou a funcionalidade após identificar que se tratava de um erro na plataforma, mas o episódio reforçou a importância de revisar as permissões concedidas aos aplicativos.
Aplicativos como o Strava podem revelar hábitos e dados sensíveis caso utilizem o GPS em 100% do tempo
Samsung/Divulgação
Para o pesquisador de segurança da ESET Brasil Jonathan Ramos, esse tipo de situação reforça a importância de revisar periodicamente quais aplicativos realmente precisam acessar a localização e revogar permissões desnecessárias.

"Muitos app pedem permissão de localização sem necessidade técnica (como redes sociais, jogos, editores de fotos etc), geralmente para fins de publicidade ou análise de comportamento do usuário.
Nesses casos, o recomendado é não permitir o acesso.
Já para aplicativos de navegação, transporte, delivery e até alguns voltados para o mundo fitness, o ideal é selecionar a opção 'Permitir apenas durante o uso do app'.
Assim, você garante que eles não acessem sua localização em segundo plano", orienta.

Aplicativos de entrega utilizam a localização em tempo real para garantir a entrega precisa dos pedidos
Mariana Saguias/TechTudo
Na avaliação do pesquisador líder de segurança da Kaspersky, Fabio Marenghi, essas informações podem ser exploradas por criminosos em golpes de engenharia social, casos de perseguição (stalking) via aplicativos espiões e até no planejamento de invasões durante períodos de ausência.
"Uma vez que criminosos descobrem os locais que você frequenta, como escolas de filhos ou hospitais, eles podem enviar mensagens de falsas cobranças médicas ou utilizar o golpe do falso sequestros com detalhes reais do cotidiano da vítima para extorquir dinheiro", alerta.

Quando vale desligar o GPS?
Não existe uma regra única para todos os usuários, mas os especialistas concordam que manter a localização ligada o tempo todo nem sempre é a melhor escolha.
A recomendação é ativar o recurso quando ele for necessário e limitar as permissões dos aplicativos para evitar consumo desnecessário de bateria e reduzir a exposição de dados pessoais.
Uma das situações em que vale desligar o GPS é quando o celular está com pouca carga e não há necessidade de usar aplicativos de navegação ou transporte.
Segundo Dhiego Soares, o recurso também pode consumir mais energia em locais com sinal fraco, como túneis, subsolos e regiões montanhosas, já que o aparelho faz sucessivas tentativas para se conectar aos satélites.
Também é válido desligar o GPS após longos períodos parado no mesmo lugar, como casa e trabalho.
Segundo o especialista, manter o GPS ativo nesse caso só alimenta perfis de rastreamento publicitário, sem benefício real.
Além disso, pode ser interessante desativar a localização em situações como reuniões confidenciais ou visitas a locais restritos.

De forma geral, a melhor configuração é conceder acesso ao GPS apenas "durante o uso do aplicativo", em vez de permitir o rastreamento contínuo.
Fabio Marenghi compara o GPS a uma ferramenta de uso pontual.
"A prática mais segura é tratar o GPS como uma lanterna: ligá-lo apenas quando realmente for necessário", afirma.
Com informações de ACM, Cyber Unit, G1, McAffe, Quora e Reddit
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