Mulheres têm mais espaço, mas ainda são minoria no mercado financeiro - QTU Questões do Universo

Mulheres têm mais espaço, mas ainda são minoria no mercado financeiro

Fonte: Bandeira da fonte

Laiz Carvalho, do BNP Paribas, destaca importância de políticas de diversidade
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O último Censo do IBGE, de 2022, aponta que o Brasil tem 6 milhões de mulheres a mais do que homens.
Elas representam 51,5% da população, ou 104,5 milhões de pessoas.
Apesar da representatividade, no mercado financeiro elas ainda são minoria.
Um levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostra que 35,4% dos profissionais do mercado são mulheres.
“Tem um espaço gigantesco para as mulheres crescerem no mercado, porque quem puxa esse número são as gerentes, especialmente de banco.
Nas carreiras executivas, tem quase 21% de mulheres em nível de diretoria e apenas 5,5% como CEO”, relata Amanda Brum, superintendente de marketing da Anbima.
A pesquisa Diversidade e Inclusão no Mercado de Capitais, de 2025, foi realizada com 154 instituições.
O levantamento não fez um recorte por áreas de atuação, mas Brum avalia que há mais mulheres em RH, marketing, compliance e jurídico e menos nas frentes de negócio.
“Quando você olha para a indústria de assets, que são as gestoras de recursos, é preciso ter certificação para ser o principal executivo e as mulheres são apenas 8% dos profissionais certificados pela Anbima para trabalhar com gestão de recursos”, diz.
Brum nota uma evolução, mas observa que muitas mulheres que estão em cargos menores do mercado nem sabem que podem almejar essa carreira.
E foi pensando em incluir mulheres no mercado financeiro de capitais que Carolina Cavenaghi criou a FIN4She, uma plataforma para conectar mulheres e finanças.
Com mais de 20 anos de carreira na área de investimentos, Cavenaghi decidiu dar uma guinada na carreira com a maternidade.
“Naquele momento, eu comecei a olhar para o lado e vi que tinham pouquíssimas mulheres atuando nas lideranças.
Elas estavam no mercado, mas não ocupavam as mesas de decisão.”

Cavenaghi identifica a média liderança, hoje, como um “teto de vidro, onde as mulheres acabam desistindo das suas carreiras”, por isso, a FIN4She busca “proporcionar um networking genuíno e assertivo.” Em outra frente, ela mantém um projeto social voltado a mentoria para preparar mulheres pretas e em situação vulnerável para as certificações da Anbima.
“Queremos dar oportunidades para que elas cheguem minimamente preparadas para pertencer a esse lugar”, afirma a executiva.
“Quando comecei esse projeto e fazia bancos de currículo, o mercado era muito reativo no sentido de dizer ‘o currículo não é bom’.
É uma jornada que começa primeiro nas mulheres, mas as empresas também têm que começar a construir esses caminhos”, defende.
O projeto começou com turmas de 60 pessoas e este ano está com 150 participantes.
“É um programa de 100% de empregabilidade e 30% de aprovação na Anbima, um orgulho para nós”, diz.
Laiz Carvalho, economista para Brasil e Chile do BNP Paribas, foi uma das primeiras mulheres negras a conquistar cargos de liderança na área.
Com mestrado em economia aplicada pela Universidade de São Paulo, onde também se graduou, ela trabalhou em vários bancos, como Santander e BTG, até se tornar economista-chefe da Brasilprev em 2020.
Em 2021 assumiu a liderança da equipe de análise macroeconômica do BNP Paribas no país, onde está até hoje.
Ela conta que sua principal função é fornecer “insumos” para orientar o trabalho das áreas de negócios do banco.
“Eu digo que é uma mistura de jornalista, quase um trabalho de meteorologista, porque eu preciso falar o que vai acontecer no futuro, com muita matemática, muita estatística”, brinca.
Suas análises vão de variáveis macroeconômicas do Brasil até fatos que acontecem ao redor do mundo, como guerra, conflitos e mudança de presidentes, que podem afetar o país.
Aos 36 anos de idade, ela conta que é “muito feliz sendo economista” e se vê crescendo na área.
“Hoje sou responsável por dois países, Brasil e Chile, mas eu tenho a ambição de ser responsável por América Latina, de ser responsável por outras coisas.
E eu tenho um pensamento que é tentar devolver para a sociedade os benefícios que eu tive ao longo dos anos.
Eu fiz escola pública e muito de onde eu cheguei vem de políticas de diversidade.” Para isso, planeja ter mais uns dez anos de experiência para depois concretizar a ambição de trabalhar em governo e retribuir suas conquistas com políticas sociais.
Elisa Soares, líder de reputação da XP, credita a baixa participação das mulheres a uma questão cultural, mas nota uma evolução e dá como exemplo os investimentos na Bolsa de Valores (B3).
Relatório de pessoa física da B3 mostra que o ticket inicial das mulheres nos investimentos é significativamente maior que o masculino.