Direto ao assunto, sem blá blá blá: quem são esses motociclistas que fazem arruaça às 3h da manhã? São dezenas de motos desfilando.
Para mostrar a potência do motor ou uma possível virilidade, sabe-se lá, alguns deixam o escapamento mais aberto.
Normal empinarem as motos, como se estivessem no globo da morte.
O barulho é estarrecedor.
Não há respeito nem pelos hospitais.
Há pelo menos uns oito anos, diversos bairros da Zona Sul convivem com essa realidade.
Quem são? Onde comem? Por que as autoridades não fazem absolutamente nada? É tão fácil atravessar bairros inteiros dessa maneira sem nenhum tipo de punição? Já sugiro que o Globo Repórter nos ajude a responder.
Nos últimos 150 anos: As preciosidades que o Centro perdeu
De Casimiro de Abreu ao Vasco: os OVNIS estão por aí
Em março deste ano, a repórter Sophia Lyrio denunciou aqui em O GLOBO essa prática.
Exibicionistas, o que não faltam são vídeos nas redes sociais mostrando as enormes conquistas ( tsc-tsc-tsc) dos rapazes.
Em época de IA, o que falta para identificar e começar a punição? A lei de trânsito não funciona mais? A Lei Municipal 6.179/2017, que autoriza a Guarda a punir qualquer perturbação do sossego por barulho excessivo, não funciona? O art.
54 da Lei de Crimes Ambientais, que trata de poluição, incluindo a sonora, não é sério? Sabendo que um órgão vai empurrar a responsabilidade para o outro, fico aqui esperando a próxima exibição.
Aviso ao leitor: nada de parar dois segundos em lugar proibido por emergência ou passar além do limite por um dos milhões de pardais por medo da violência.
A multa chegará, e ai de você se não pagar.
Se é para fazer barulho...
É impossível contar a história do automóvel no Brasil sem passar pela Praia de Botafogo.
Em 1907, nomes como o jornalista José do Patrocínio, o poeta Olavo Bilac e o inventor Santos Dumont participaram da fundação do Automóvel Clube do Brasil, que teve no bairro a sua primeira sede.
Cordovil e Brás de Pina: o subúrbio está abandonado
A entidade ajudou a popularizar o automóvel no país, participou dos debates sobre as primeiras normas de trânsito e organizou competições.
Botafogo chegou a receber um circuito automobilístico.
Anos depois, o edifício tornou-se Colégio Andrews, onde estudou Tom Jobim, por exemplo.
Atualmente, abriga uma unidade do Colégio pH.
O Automóvel Clube permaneceu pouco tempo nesta casa.
Sua sede mais conhecida ficava na Rua do Passeio, no Centro.
Foi lá que, em 30 de março de 1964, o então presidente João Goulart fez um de seus últimos e mais inflamados discursos.
Poucas horas depois, começaria o movimento militar que o derrubaria do poder.
Já que falei de corrida
A Avenida Niemeyer e a parte da Rocinha faziam parte do Circuito da Gávea, uma das mais perigosas competições automobilísticas do país.
Os pilotos enfrentavam curvas fechadas, buracos e os trilhos escorregadios dos bondes.
O público acompanhava tudo de perto, em pé, praticamente na beira da pista.
Acidentes e atropelamentos não eram raros.
Trem de Prata: quem diria que a Leopoldina está acabada?
Sem as estruturas de segurança atuais, o circuito ganhou o apelido de “trampolim do diabo”.
O percurso também passava por outros trechos da Zona Sul.
Os pequenos carros de corrida eram conhecidos como “baratinhas”.
O maior vencedor da história da competição foi o piloto brasileiro Chico Landi.
O carro da sogra
É, as sogras não tiveram sossego até em determinados automóveis.
O Ford Roadster, de 1932, por exemplo, tinha um assento externo e dobrável, instalado no compartimento traseiro.
O acesso era feito por pequenos apoios fixados na lateral do carro.
No Brasil, ganhou o apelido bem-humorado de “banco da sogra” porque deixava o passageiro separado do casal que seguia no quentinho da cabine.
Quem viajava atrás ficava exposto ao vento, à poeira, à chuva e aos riscos de acidentes.
Apesar da brincadeira, o banco, logicamente, não foi criado especialmente para transportar sogras.
Era apenas uma solução para aumentar a capacidade de veículos pequenos.
Por fim
Que saudade da época em que quem fazia barulho nos túneis do Rio de Janeiro e assustava transeuntes era um Opala fantasma.
É, mas essa é outra história.
Motos da madrugada: o barulho que ninguém consegue parar
Fonte:
