O Conecta Multimodal 2026, espaço oficial de conteúdo da Multimodal Nordeste, contou com a Folha de Pernambuco e o Movimento Econômico como apresentadores e correalizadores da programação realizada entre os dias 4 e 6 de agosto, no Recife Expo Center, no centro do Recife.
No primeiro dia do evento, realizado nesta terça-feira (4), a programação de palestras foi aberta com o tema "Pessoas no centro da estrada: como a humanização do motorista transforma risco em performance", apresentado pelo gestor do Grupo Tombini, Walker Lytiery.
Durante a conversa, Lytiery defendeu que o setor de transporte precisa colocar o motorista no centro das estratégias das empresas, argumentando que os investimentos em tecnologia não têm sido acompanhados por iniciativas voltadas ao cuidado com quem conduz os veículos.
"Todos os anos as empresas gastam bilhões para fazer computadores conversarem com os caminhões, com telemetria, câmeras e rastreadores.
Mas será que estão investindo um real sequer para conversar com o motorista?", questionou.
Segundo ele, a rotina da profissão é marcada por desafios como a distância da família, a solidão e a pressão constante por resultados.
Para o palestrante, discutir logística sem considerar a realidade desses profissionais compromete tanto a segurança quanto a eficiência das operações.
Lytiery também chamou atenção para as condições da infraestrutura rodoviária brasileira.
De acordo com ele, 44% das rodovias pavimentadas apresentam problemas de geometria que contribuem diretamente para a ocorrência de sinistros, enquanto o debate do setor permanece concentrado em tecnologia e inteligência artificial.
"O desafio não é inteligência artificial versus inteligência emocional, mas entender se vamos resolver tudo apenas com fio e chip.
Como falar em substituir motoristas por robôs em um país que ainda enfrenta tantos problemas de infraestrutura?", afirmou.
Gestão
O gestor ainda defendeu que a liderança nas empresas passa pelo preparo emocional dos gestores.
"Como você vai cuidar de alguém se você não se cuida? Encontramos gestores preparados tecnicamente, mas despreparados emocionalmente para lidar com os motoristas", disse.
Câmeras
Outro ponto abordado foi o uso de câmeras embarcadas nos caminhões.
Segundo Lytiery, embora muitos motoristas enxerguem o equipamento como uma forma de punição, a tecnologia pode servir como ferramenta de proteção e valorização do profissional quando utilizada de forma transparente.
Como exemplo, ele apresentou imagens reais registradas pelas câmeras frontais dos veículos do Grupo Tombini para mostrar situações em que os equipamentos ajudaram a comprovar a versão dos motoristas em acidentes.
"A câmera deixa de ser a palavra de um contra a palavra de outro.
Ela mostra o que realmente aconteceu.
E se essa câmera não estivesse no caminhão?", concluiu.
