Flashes, tapete vermelho, traje de gala: chegou a hora de a diva brilhar no cinema.
Vinte anos depois de surgir discretamente na internet e se tornar um fenômeno no Brasil, a Galinha Pintadinha virou filme, com estreia marcada para o dia 1º de outubro nas salas de todo o país.
Eis o auge de uma carreira meteórica que se desenvolveu em paralelo às transformações digitais das últimas duas décadas.
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Para quem já fez sucesso no teatro e na TV, faltava mesmo o cinema.
“Galinha Pintadinha — O filme”, da Bromélia Produções, acompanha a história da protagonista que, ao lado do Galo Carijó, está esperando seu primeiro pintinho.
Uma confusão causada por uma cegonha atrapalhada, no entanto, tira o sossego da família, que se vê numa aventura para reverter a situação.
O longa de animação vem das mãos de Marcos Luporini e Juliano Prado, a dupla que criou a Galinha Pintadinha há 20 anos.
E foi tudo meio por acaso.
Luporini e Prado se conheceram ainda na escola.
Ambos músicos, estreitaram os laços no circuito de bandas da Campinas dos anos 1990.
Fizeram parte de um grupo que tocava covers de Tim Maia e Jorge Ben Jor, circulavam pelas mesmas noites e compartilhavam dos mesmos amigos.
Um foi casado com a vizinha do outro.
Na época de faculdade, vieram outros projetos, outras ideias.
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— Fiz Publicidade na USP e depois Música na Unicamp — relembra Luporini.
— Fui trabalhar num estúdio e pegava muita publicidade, trilha de teatro, uns jingles políticos que eram uma desgraça de fazer.
Mas eu tinha muito tempo livre.
E acabei gravando, por conta própria e sem muito propósito, um punhado de 13 músicas que formariam, mais tarde, o primeiro DVD da Galinha, mas naquele início não tinha galinha ainda, eram só 13 músicas do cancioneiro popular.
Por sua vez, Juliano já sacava de animação.
Ele era dono de um site que as pessoas usavam para mandar cartões virtuais na internet.
— Marcos apareceu com as músicas e a gente tinha vontade de fazer algo, mas não sabia o quê.
A primeira ideia foram vídeos animados, mas não sabíamos onde colocar.
Começamos a oferecer projetos para televisão.
Numa dessas, tínhamos que apresentar o projeto para alguém e subimos um vídeo no YouTube, só pra conseguir apresentar, não tinha nenhum planejamento.
Mas foi esse link que viralizou, o viral da Galinha.
Nessa época o YouTube não tinha conteúdo.
A música era “Galinha Pintadinha”, do cancioneiro popular (aquela dos versos “A Galinha Pintadinha/ E o Galo Carijó/ A galinha usa saia/ E o galo paletó”).
Lembro que deu 500 mil visualizações depois de seis meses, isso em 2006.
Juntamos nossas economias, terminamos as animações que faltavam e fizemos uma primeira leva de mil DVDs.
Nascia ali a simpática galinha de olhar doce, penugem azul com bolinhas brancas e as perninhas amarelas.
Nasceu “organicamente”, relembram os criadores.
Segundo Marcos Luporini, não foi uma ideia da dupla fazer dela, naquele primeiro momento, a grande estrela do projeto.
A demanda do público que os guiou para esse caminho.
— Batizamos o projeto de Galinha Pintadinha porque já estava na boca do povo.
A gente encontrava pessoas na rua que diziam que seus filhos tinham adorado a Galinha Pintadinha.
Começou a ficar claro pra gente que ela tinha uma força.
E aí fomos tocando.
Divulgávamos de graça no YouTube e no final do vídeo tinha um link pra comprar o DVD, que vendíamos no fundo de casa, literalmente.
Chegamos a vender 30 mil cópias em 2008.
Juliano Prado ressalta o contexto da época:
— Nossa concorrência na época era “Tapa na pantera”, esses vídeos que bombavam no YouTube.
Era bem o comecinho mesmo.
As animações eram acompanhadas de canções populares que por conta do tempo já haviam caído em domínio público, como “O sapo não lava o pé”, “Fui no tororó”, “A dona aranha”, “Marcha soldado” e “Escravos de Jó”.
No segundo DVD, Marcos Luporini começou a criar canções originais.
— Teve música que eu achei que era domínio público e depois descobrimos que tinha autor.
Mas este é um mercado bastante maduro, nunca tivemos problemas, sempre fizemos acordos.
É o que mantém a música viva.
E tem o contrário também.
Esses dias apareceu uma editora cobrando direitos de uma música que eu que fiz — lembra.
De cisco em cisco, a galinha fez um império.
Marcos e Juliano fizeram parceria com a Europa Filmes, depois com a Som Livre, e a Galinha Pintadinha apareceu em programas como o Fantástico e o Mais Você, da TV Globo.
— Depois que engatou, apareceram indústrias querendo fazer brinquedo licenciado, essas coisas, e a gente começou a pensar que era mesmo uma marca.
Descobrimos que havia um modelo de negócio que tenta vender essa ideia, pra mil coisas diferentes, fraldas, livros etc.
Nesse aspecto, foi interessante também.
Lá para 2013, 2014, foi um sucesso absurdo, um estouro de produtos licenciados.
Aqui no Brasil incomodamos grandes marcas, vendemos muito.
Bilhões de visualizações
Marcos faz um adendo:
— E era na época que as músicas estavam morrendo, no Discovery Kids era só música estrangeira.
Botamos no jogo músicas brasileira, tudo do cancioneiro nacional.
A Galinha Pintadinha nunca deixou de ser um fenômeno.
Hoje, o canal oficial do personagem tem quase 40 milhões de inscritos.
Os números impressionam.
Só o vídeo de “Upa cavalinho” tem 3,6 bilhões de visualizações.
Já foram cinco DVDs gravados, cerca de 42 bilhões de views no YouTube e um mundo de personagens que inclui a Baratinha, a Borboletinha, o Sapo Cururu, entre outros.
Parte do elenco estará no cinema em outubro.
—Ela está linda no filme, maravilhosa.
É uma animação 3D.
A Galinha Pintadinha querendo ser mamãe, conquistando esse lugar da maternidade ao longo da história.
Vai ser legal para as crianças mas para a família também — diz Juliano Prado.
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