Em São Paulo, Caiado acena a Tarcísio e mira estratégia

Em São Paulo, Caiado acena a Tarcísio e mira estratégia 'Carcísio'

Fonte: Bandeira da fonte

Ao lado do governador de Goiás, Ronaldo Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas durante audiência na Câmara dos Deputados para falar sobre a PEC da Segurança
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta quinta-feira (30) que pretende vincular sua candidatura à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em uma estratégia apelidada por aliados de "Carcísio".
Apesar do aceno, o ex-governador de Goiás disse respeitar o apoio público de Tarcísio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa pelo Palácio do Planalto.
o ex-governador de Goiás esbarra na ausência de palanques regionais fortes.
Poucos candidatos competitivos a governador até o momento anunciaram apoio a ele, e o comando do PSD liberou os diretórios estaduais a apoiarem quem desejarem na disputa ao Planalto.

Ao destacar a importância de São Paulo para sua campanha, Caiado atribuiu a estratégia à força política do presidente nacional do PSD e seu candidato a vice, Gilberto Kassab, e ao capital político de Tarcísio no Estado.
Segundo ele, a campanha já trabalha para associar os dois nomes junto ao eleitorado paulista.

"O Kassab tem hoje a maior estrutura política no Estado de São Paulo, com a credibilidade do Tarcísio.
Por isso se juntaram duas coisas favoráveis [em relação ao termo 'Carcísio'].
O comitê é Caiado e Tarcísio", disse Caiado em visita ao "Fishing Show Brazil 2026", feira realizada na capital paulista.

O movimento em direção a Tarcísio ocorre apesar dos ruídos recentes entre o grupo do governador e o PSD.
Embora o partido de Kassab apoie a reeleição de Tarcísio, o governador de São Paulo está alinhado nacionalmente à candidatura de Flávio.

Tarcísio era esperado na convenção do PSD que oficializou a candidatura de Caiado à Presidência, realizada no domingo (26), na capital paulista, mas desistiu após o desconforto gerado pela divulgação de materiais do evento que associavam sua imagem ao presidenciável do PSD.
No dia anterior, sábado (25), o governador participou da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio ao Planalto.

Questionado sobre a ausência de Tarcísio no evento do PSD, Caiado minimizou o episódio e afirmou que a decisão do governador não afeta a relação política entre os dois.
Disse ter se encontrado recentemente com Tarcísio e afirmou compreender sua posição no cenário eleitoral.

Caiado também disse que não participará da convenção estadual do Republicanos no sábado (1º), que oficializará a candidatura de Tarcísio à reeleição.
Segundo ele, a ausência ocorrerá por incompatibilidade de agenda.

"No sábado estarei em Santa Catarina e depois seguirei para Brasília para o lançamento dos nossos candidatos ao governo.
Esta é uma agenda que já está definida", afirmou.

Segundo apurou o Valor, a expectativa é que Flávio participe da convenção do Republicanos ao lado de Tarcísio.
Nesta quinta-feira, a equipe de Caiado anunciou que o ex-ministro Aldo Rebelo (DC) será coordenador político da campanha presidencial.
Rebelo chegou a se lançar pré-candidato ao Planalto, mas não avançou.
Aldo na coordenação de campanha
Segundo a equipe de Caiado, o ex-ministro Aldo Rebelo aceitou o convite para assumir a coordenação política da campanha presidencial.
A definição ocorreu durante reunião em São Paulo com o coordenador político do PSD, Heráclito Fortes.
Segundo a campanha, a escolha reforça a estratégia de ampliar o diálogo com diferentes segmentos da sociedade e reunir quadros de reconhecida experiência na formulação de propostas para o país.
No domingo (26), Rebelo participou da convenção nacional do PSD que oficializou a candidatura de Caiado ao Palácio do Planalto.
Em janeiro, Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo Democracia Cristã (DC).
Contudo, a legenda decidiu substituí-lo por Joaquim Barbosa.
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, desistiu da disputa.
Para o lugar dele o partido escolheu a advogada Clariana Barão.

Segundo turno
Pela manhã, em entrevista, Caiado disse acreditar ter condições de derrotar Lula em um eventual segundo turno.
"Se o eleitor me levar para o segundo turno, eu ganho do PT.
As pesquisas demonstram isso.
Se o Flávio for para o segundo turno, o Lula é reeleito", disse durante entrevista à Rádio Itatiaia.
Nos cenários de primeiro turno, de acordo com as pesquisas mais recentes, o candidato do PSD tem entre 3% e 4% das intenções de voto dependendo do instituto.

Caiado também disse que, caso Flávio chegue ao segundo turno, passará a campanha tendo que responder às denúncias que recaem sobre ele, facilitando a reeleição do presidente Lula.

Caiado voltou a criticar o que chama de “dependência” de Flávio da imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Você tem que demonstrar que tem capacidade de liderar o país num momento mais grave da história do país.
Agora, você não pode estar todo dia puxando o seu pai para decidir um assunto ou falar sobre um problema, o qual você está ali tendo que se explicar à população brasileira.
Daqui a pouco, você chama [Javier Milei ] para vir aqui falar de um assunto", disse.

As declarações de Caiado fazem referência à presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PL, que oficializou a candidatura de Flávio.
Ao lado de Flávio, o líder argentino chamou o presidente Lula de "ladrão" e "presidiário", o que gerou uma crise diplomática entre os dois países.