Depois do rosto, do pescoço e do colo, a indústria antienvelhecimento encontrou um novo mercado: as mãos.
Clínicas de estética e empresas de cosméticos têm ampliado a oferta de procedimentos para recuperar o volume e reduzir sinais como rugas, manchas solares e afinamento da pele.
Por permanecerem constantemente expostas ao sol, à água e ao contato com diferentes superfícies, as mãos podem apresentar sinais de envelhecimento mais rapidamente.
Com o passar dos anos, a pele se torna mais fina e deixa ossos, tendões e veias mais aparentes.
A procura por esses tratamentos costuma surgir depois de intervenções em outras regiões do corpo.
Após recorrer à toxina botulínica e a preenchimentos faciais, alguns consumidores passam a perceber diferenças entre a aparência do rosto e a das mãos.
O movimento acompanha a popularização dos procedimentos estéticos no Brasil, sobretudo entre os mais jovens.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o chamado botox preventivo já é o procedimento estético mais realizado entre pessoas de 18 a 30 anos, após crescer 300% nos últimos três anos.
aplicação de botox, tratamento estético, tratamento cosmético
Husam Çakaloglu
No cenário global, o levantamento mais recente da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), referente a 2024, coloca o Brasil entre os principais mercados para a toxina botulínica.
Foram registradas 403,7 mil aplicações no país, o terceiro maior volume mundial.
Entre pacientes de 18 a 34 anos, foram realizados cerca de 1,8 milhão de procedimentos em todo o mundo.
Apesar do avanço entre os jovens, a técnica permanece mais concentrada na faixa dos 35 aos 50 anos, que respondeu por 3,7 milhões de aplicações, 47,1% do total global.
Entre as técnicas adotadas nos cuidados com as mãos estão preenchedores à base de ácido hialurônico ou cálcio, os chamados skin boosters e o microagulhamento.
O mercado já conta com produtos específicos.
O Radiesse, da Merz Aesthetics, e o Restylane Lyft, da Galderma, por exemplo, receberam autorização da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, para corrigir a perda de volume no dorso das mãos.
As redes sociais também ajudam a ampliar a demanda.
Profissionais do setor relataram que vídeos sobre cuidados com as mãos despertam o interesse por tratamentos em uma região que, até então, recebia pouca atenção nas rotinas de beleza.
A tendência, porém, provoca preocupação entre especialistas em saúde mental.
A expansão dos padrões estéticos para partes do corpo antes ignoradas pode alimentar expectativas irreais e transformar características naturais do envelhecimento em novas fontes de insatisfação.
Para profissionais ouvidos pelo The Washington Post, joelhos e pés podem ser os próximos alvos dessa indústria.
Mais Lidas
