Deixando a casa mais segura: como prevenir quedas na terceira idade - QTU Questões do Universo

Deixando a casa mais segura: como prevenir quedas na terceira idade

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A queda não deve ser vista como uma consequência do envelhecimento.
Ao contrário, deve ser encarada como algo que merece investigação, pois pode sinalizar alterações na saúde, na mobilidade ou até mesmo no ambiente em que a pessoa vive.

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Entre os principais fatores de risco estão a perda de força muscular, alterações no equilíbrio, redução da velocidade de reação, comprometimento da visão e da sensibilidade.
Além disso, doenças como Parkinson, acidente vascular cerebral (AVC), demência, diabetes, osteoartrite e hipotensão postural aumentam a probabilidade de quedas.
O uso de medicamentos que provocam sonolência, tontura ou queda da pressão arterial, especialmente quando associados, também contribui para esse risco.
De acordo com Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), as quedas representam um dos principais problemas de saúde pública relacionados ao envelhecimento.
— Aproximadamente 28% das pessoas idosas sofrem ao menos uma queda por ano.
Entre aquelas com 80 anos ou mais, esse percentual pode chegar a 40%.
Além da elevada frequência, as quedas estão entre as principais causas de internação, perda de independência e morte por causas externas nessa população — explica Isabela.
O ambiente que deveria oferecer mais segurança é, muitas vezes, onde estão os maiores riscos.
Boa parte das quedas ocorre dentro da própria residência, local em que a pessoa idosa passa grande parte do tempo e onde pequenos perigos costumam passar despercebidos.
Tapetes soltos, degraus, fios espalhados, iluminação inadequada e pisos escorregadios podem representar riscos importantes e aumentar a chance de acidentes.
Entre os ambientes mais críticos da casa estão o banheiro, o quarto e as escadas.
No banheiro, o piso molhado, a necessidade de sentar e levantar e a ausência de barras de apoio aumentam o risco de quedas.
Já o quarto exige atenção principalmente no trajeto noturno até o banheiro, enquanto escadas sem corrimão ou com iluminação insuficiente também representam um perigo importante.
— Medidas simples podem reduzir esse risco, como retirar tapetes soltos, melhorar a iluminação, instalar barras de apoio no banheiro, colocar corrimãos nas escadas, manter corredores livres, organizar os fios elétricos, utilizar pisos antiderrapantes quando necessário e deixar objetos de uso frequente em locais de fácil acesso — orienta a especialista.
Atenção aos calçados e aos exercícios
Os calçados também desempenham um papel importante na prevenção de quedas.
O ideal é optar por sapatos fechados, confortáveis, com solado antiderrapante, salto baixo e boa fixação aos pés.
Em contrapartida, devem ser evitados chinelos frouxos, pantufas largas, calçados sem apoio no calcanhar, sapatos de salto alto e o hábito de andar apenas de meias.
A prática regular de exercícios físicos também é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o risco de quedas.
Atividades que trabalham força muscular, equilíbrio, coordenação e marcha ajudam a melhorar a estabilidade e a mobilidade.
Entre as modalidades com melhores resultados estão os treinos supervisionados, os exercícios funcionais, o tai chi chuan, o pilates e os programas específicos de prevenção de quedas.
As consequências de uma queda
As consequências de uma queda vão muito além das fraturas e dos traumatismos.
Segundo Isabela, o episódio pode comprometer significativamente a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa.
— Além de fraturas, traumatismos e internações, a queda pode provocar medo de cair novamente, perda de autonomia, redução das atividades, isolamento social, depressão e piora importante da qualidade de vida — afirma.
A fisioterapeuta orienta que familiares e cuidadores estejam atentos a sinais como histórico de quedas, dificuldade para levantar da cadeira, marcha lenta, tropeços frequentes, tonturas, medo de caminhar, perda de força, alterações na visão e mudanças recentes na medicação.
— A prevenção envolve avaliação por um profissional de saúde, prática regular de exercícios, revisão dos medicamentos e adaptações no ambiente para reduzir os riscos.
Por fim, a especialista reforça que as quedas podem ser evitadas na maioria dos casos.
— A queda não faz parte do envelhecimento normal e, na maioria dos casos, pode ser prevenida por meio da identificação precoce dos fatores de risco e da adoção de medidas relativamente simples, capazes de preservar a autonomia, a independência e a qualidade de vida da pessoa idosa — conclui.