Corrida pela baixa latência redefine os data centers - QTU Questões do Universo

Corrida pela baixa latência redefine os data centers

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Fernanda Belchior, da Elea: data centers interconectados e projeto em Belém
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Os avanços da inteligência artificial generativa e os agentes autônomos, com aplicações críticas que passam a exigir respostas quase instantâneas, mudam a lógica da infraestrutura digital.
Cada vez mais, o valor está em processar dados no local mais adequado para cada aplicação: em grandes data centers, em nuvens públicas, em ambientes multicloud e mais próximo do usuário, por meio de edge computing.
Se, até agora, a indústria de data centers atendia bem as demandas de conectividade, centralizando e processando um alto volume de tráfego de dados nos grandes centros instalados no eixo Rio-São Paulo, agora é preciso pensar em data centers regionais e integrados para atender as novas aplicações.
“Com a crescente demanda, os produtos de data center foram se transformando.
Apesar de ser mais comoditizado em algumas operações, hoje a gente já consegue enxergar uma gama de serviços sendo implementada em alguns data centers”, diz Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para América Latina.
Ele acredita que o mercado vai passar por uma grande transformação e vê duas vertentes se consolidando: a dos hyperscalers, que abrigam grandes aplicações, e o edge computing (ou computação de borda) que processa, analisa e armazena dados na “borda” da rede, ou seja, o mais próximo possível de onde são gerados, com respostas mais imediatas para o usuário final.
A Equinix se antecipou a essa tendência, com o Equinix Fabric, uma plataforma multicloud que fornece interconexão definida por software (SDN) para conectar infraestruturas digitais, data centers e provedores de nuvem de forma privada e sob demanda.
A plataforma é interligada por fibra óptica - a Equinix compra capacidade dos parceiros.
Hoje a gente já consegue enxergar uma gama de serviços sendo implementada em alguns data centers”
Carvalho cita a argentina Metrotel, que tem interconexão direta com o data center da Equinix em São Paulo (o SP4).
“A distância entre Buenos Aires e o SP4 é de 2.220 km e a latência fica em torno de 30 milissegundos.
Não temos presença na Argentina, a não ser por este cliente.
Então, isso traduz uma nova forma do mercado comprar cloud computing e serviços que estão dentro do data center”, diz.
Ele conta que isso é possível porque a Equinix tem uma estrutura descentralizada e opera nas grandes metrópoles, além de hospedar os principais provedores de nuvem, inclusive do mercado financeiro, empresas de streaming e de software.
“A Equinix vai ser um player primordial para essas empresas, que vão pegar conteúdo com a gente”, resume.
A Elea Data Centers já nasceu com um modelo de data center descentralizado, diz Fernanda Belchior, diretora de vendas e marketing.
Seus nove data centers são interconectados e estão instalados em Curitiba, Porto Alegre e Brasília, além de Rio e São Paulo.
O novo empreendimento é um data center na região Norte, em parceria com a Axia, que vai fornecer energia.
Belém foi escolhida por ser uma rota complementar ao hub de Fortaleza, principal porta de entrada de cabos submarinos do país.
Além disso, integra a malha de conectividade da região Norte por meio das infovias do programa Norte Conectado.
“O data center de Belém vai favorecer também operadoras e provedores regionais, que poderão fazer troca de tráfego e de serviços na nossa infraestrutura”, afirma Belchior.
Além do mercado de hyperscaler, a Elea tem uma base de clientes corporativos (B2B), com 150 empresas brasileiras.
“Imagina um banco, uma escola, um hospital, uma seguradora, eles também podem utilizar os serviços de ‘collocation’ e conectividade, além dos grandes provedores de cloud e conteúdo que estão nos mercados internacionais”, diz.
Costa, da Tecto: milissegundos são críticos para carros autônomos, por exemplo
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Para a Tecto Data Centers os novos projetos de IA devem dominar o mercado nos próximos cinco ou dez anos.
“Treinar um modelo exige muita capacidade computacional, mas depois que ele está pronto vem a inferência, que é quando você conversa com a IA e ela responde.
Essa etapa é extremamente sensível à latência”, comenta Tito Costa, diretor de receita da Tecto.
A estratégia da Tecto tem dois pilares: grandes AI Factories voltadas ao treinamento dos modelos de IA e data centers regionais distribuídos pelo país.
“Estamos construindo um grid de data centers que se conecta ao data center em implementação em Santana de Parnaíba (SP) para funcionar como uma fábrica de IA, onde os hyperscalers poderão desenvolver e treinar seus modelos”, informa Costa.
Os data centers macro edge serão interconectados à essa fábrica por meio da rede da V.tal.
“Essa composição de produtos vai permitir que um cliente que está em Porto Alegre, ou em Fortaleza, consiga se conectar em São Paulo.
Esse conceito de grid vai muito nessa direção de uma única plataforma que ‘empurra’ o seu agente para as pontas para poder facilitar o uso do modelo agêntico”, diz.
O diretor da Tecto lembra que em alguns casos, como o envio de um e-mail, milissegundos de diferença na entrega do dado não fazem diferença.
Mas em aplicações críticas, a distância geográfica é fator determinante.
“A latência entre Fortaleza e São Paulo é da ordem de 45 a 50 milissegundos.
Se um veículo autônomo em Fortaleza precisa se comunicar com o data center para decidir se vira para a esquerda ou para a direita, e a resposta levar 40 milissegundos, pode atropelar uma pessoa.”
Com data centers no Brasil, Chile, México e Colômbia, interligados por uma rede proprietária de fibra óptica, a Ascenty conecta unidades localizadas em grandes capitais e regiões metropolitanas.
“Embora o nosso escopo principal seja a operação de data centers de grande porte (hyperscale e colocation), nossa infraestrutura funciona como uma base para estratégias de edge computing, permitindo que cargas de trabalho sejam distribuídas de acordo com os requisitos técnicos de latência, desempenho e disponibilidade de cada aplicação”, informa Wladimir da Silva Júnior, gerente executivo de arquitetura e soluções da Ascenty.