Caiado volta a chamar Flávio de candidato

Caiado volta a chamar Flávio de candidato 'sabor agro'

Fonte: Bandeira da fonte

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou, nesta segunda-feira (3), que os eleitores do agronegócio que apoiam o senador e candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, "não acordaram".
Segundo o presidenciável, ele é "agro raiz", ao contrário do adversário, que classificou como "sabor agro".
Caiado também criticou o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela sinalização de evitar debates durante a campanha: "Estão brincando de esconde-esconde", afirmou.
Ex-governador de Goiás, Caiado tem proximidade com o agronegócio e tenta disputar com Flávio essa fatia do eleitorado.
"Eu não sou sabor agro.
Eu conheço a realidade.
Eu sou médico, eu sou produtor rural, eu sou uma pessoa que estuda e que debate", disse Caiado em entrevista ao canal My News.
O candidato do PSD afirmou que sua trajetória política é marcada pela defesa do agronegócio, citando medidas como a securitização de dívidas rurais, o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e a participação na elaboração do Código Florestal.
"O que ele [Flávio Bolsonaro] entende num debate [sobre o agro]?", questionou.
Caiado disse ainda que o PT "destruiu" a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Além disso, afirmou que não há políticas estruturantes para o setor rural nos governos petistas.
"O PT destruiu a Embrapa.
Acabou.
Nós não somos mais aquela referência que fomos… Qual é a política estruturante que teve o setor rural? Vamos debater a causa do nosso endividamento?", provocou.
Questionado sobre se sua prioridade é superar Lula Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro, Caiado respondeu que seu objetivo é derrotar o PT, mas reconheceu que, para disputar o segundo turno, é necessário conquistar os votos do presidenciável do PL.
"Não adianta nada o Flávio ir para o segundo turno, porque, ao chegar lá, ele vai ter que ficar se explicando das denúncias contra ele", disse.
"Esconde-esconde"
Em outro entrevista, Caiado também criticou a sinalização de Lula de reduzir a participação em debates e a posição de Flávio, que afirmou que só participará caso o presidente compareça.
“Os dois estão brincando de esconde-esconde”, afirmou o candidato do PSD ao podcast Inteligência Ltda.
Segundo Caiado, os debates são fundamentais para que os candidatos sejam confrontados com dados e tenham de explicar suas propostas e resultados.
Na avaliação do ex-governador de Goiás, Lula evita discutir temas como violência, corrupção, saúde e educação e prefere, ao lado de Flávio, manter a campanha centrada na polarização.
Ao podcast, Caiado reiterou as críticas a Flávio e a Lula.
De acordo com ex-governador, a fragilidade do senador é o grande trunfo de Lula para vencer as eleições no segundo turno.
Caiado disse ainda que preferiria enfrentar Lula diretamente na disputa presidencial para comparar os resultados de seus governos.
"O Lula quer levar quem não tenha como disputar com ele", afirmou ao podcast Inteligência Ltda.
Ao comentar a convenção do PT, nesse domingo (2), Caiado disse que Lula apresentou promessas incompatíveis com o tempo em que o PT esteve no comando do país.
Segundo ele, o presidente voltou a prometer avanços em áreas como segurança pública, combate à pobreza, educação, inteligência artificial e exploração de minerais estratégicos, apesar de o partido já ter governado o Brasil por cerca de duas décadas.
“É a capacidade dele de querer explicar o inexplicável.
Esse cara tem 20 anos no poder.
Eles nunca fizeram nada”, afirmou o candidato do PSD, ao criticar os compromissos anunciados por Lula durante a convenção que oficializou sua candidatura à reeleição.
"Peru de Natal"
Caiado voltou a afirmar que as pesquisas indicam que ele é o único candidato capaz de derrotar o presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno.
O ex-governador de Goiás disse ainda que, na avaliação da campanha do petista, Flávio Bolsonaro é um "peru de Natal", que será servido no segundo turno.
Para chegar ao segundo turno, o candidato do PSD disse que pretende intensificar a construção de palanques estaduais, um dos principais desafios de sua campanha.
Segundo ele, o foco é ampliar o apoio político nos 26 Estados e no Distrito Federal, além de apresentar sua experiência administrativa como credencial para disputar a Presidência.
"A liderança e o comando do país você não herda, você constrói.
E você constrói com exemplo de vida", disse.
Caiado também criticou a postura do PL após a derrota nas eleições de 2022.
O presidenciável do PSD afirmou que quem perde uma eleição deve reconhecer o resultado, em vez de atribuir a derrota a terceiros.
"Por que o PL perdeu a eleição? Porque não adianta você ficar reclamando de urna, não adianta você ficar botando culpa nos outros.
A pessoa, quando perde a eleição, tem que ter humildade: dizer, 'olha, perdi a eleição'.
Pronto", ressaltou Caiado.
Feminicídio
Questionado sobre propostas para combater o feminicídio, o presidenciável do PSD afirmou que, se eleito presidente, pretende propor o confisco dos bens de condenados por violência contra a mulher, com a destinação do patrimônio às vítimas ou, em casos de feminicídio, aos filhos.

Ele também disse que pretende ampliar mecanismos de proteção às mulheres, como o chamado "botão do pânico", para permitir o acionamento imediato da polícia em situações de risco.