Fabricantes de aeronaves, companhias aéreas e empresas de manutenção estão adotando medidas para preservar janelas de aviões, após um incidente em importante fábrica da Califórnia agravar a escassez de um componente necessário tanto para aeronaves novas quanto para a manutenção de rotina, disseram empresas e fontes da indústria.
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A GKN Aerospace, uma das maiores fornecedoras mundiais de janelas de cabines e de passageiros, interrompeu a produção, no fim de maio, em sua fábrica nos arredores de Los Angeles, após um tanque superaquecido levantar o risco de explosão e levar à evacuação de 50 mil moradores da região por vários dias.
Embora não tenha comprometido a produção de novas aeronaves nem as operações das companhias aéreas, segundo fontes e executivos, o incidente provocou atrasos no fornecimento de peças e aumentou a preocupação do setor com a disponibilidade de janelas para cabine e passageiros.
A fabricante norte-americana Boeing informou que orientou operadores sobre medidas para administrar os estoques de janelas após o incidente.
Segundo uma fonte de uma companhia aérea norte-americana, a Boeing recomendou que as empresas substituam janelas apenas quando estritamente necessário, e não por outros motivos, como questões estéticas.
Em comunicado, a Boeing afirmou que continua “trabalhando com seu fornecedor e tomando medidas para mitigar quaisquer impactos potenciais”.
A GKN, controlada pela britânica Melrose Industries, produz janelas para diversos modelos da Boeing, incluindo o 737 MAX, além dos jatos A220 e A350 da rival Airbus.
A Melrose informou, na sexta-feira (31), que trabalha para restaurar a plena capacidade de produção da fábrica de janelas, que já retomou parcialmente suas operações, até o fim de 2026.
A escassez evidencia algumas fragilidades remanescentes na cadeia de suprimentos da indústria aeroespacial desde a pandemia, apesar das melhorias perceptíveis na disponibilidade de peças ao longo deste ano.
Empresas e analistas afirmam que a demanda dos fabricantes, que estão aumentando a produção de aeronaves, está se chocando com a necessidade das oficinas de manutenção por janelas de reposição para manter os aviões em operação, em um cenário semelhante ao observado com a escassez de motores.
“Existe um mercado de reposição muito significativo para janelas”, afirmou Matteo Peraldo, sócio das áreas aeroespacial e de defesa da AlixPartners.
“Portanto, a demanda não vem apenas da produção, mas também é reforçada pelo mercado de reposição.”
A Airbus enfrentou escassez de janelas para o A220, mas isso não provocou atrasos na produção, segundo uma fonte familiarizada com o programa.
Um porta-voz do programa A220 afirmou que, com a retomada da produção pela GKN Aerospace, a empresa está “observando um progresso positivo até o momento rumo ao retorno à normalidade”.
A empresa de manutenção Lufthansa Technik informou que o fornecimento de janelas para aeronaves dos dois principais fabricantes já vinha enfrentando dificuldades há bastante tempo.
“Os prazos de entrega aumentaram substancialmente, enquanto os custos de aquisição cresceram de forma significativa”, afirmou a Lufthansa Technik.
Para a maioria das aeronaves Boeing que atende, o fornecimento de janelas normalmente fica restrito aos casos em que a peça é absolutamente necessária para reparar uma aeronave parada em solo, acrescentou a empresa.
Jatos executivos
Os desafios no fornecimento de janelas também afetaram fabricantes de jatos executivos, como a canadense Bombardier e a brasileira Embraer, além das oficinas de manutenção.
Na quinta-feira (30), o presidente-executivo da Bombardier, Eric Martel, disse a jornalistas que o impacto do incidente sobre o fornecimento de janelas está entre os desafios da cadeia de suprimentos “que tivemos de administrar”.
A GKN Aerospace produz as janelas do Global 8000, principal modelo da fabricante.
A Embraer, fabricante de jatos executivos e comerciais, já enfrentava restrições no fornecimento de janelas para aeronaves, e o incidente na GKN trouxe uma nova preocupação, segundo uma fonte.
Kenn Ricci, presidente do conselho da operadora de jatos executivos Flexjet, que opera aeronaves Phenom e Praetor da Embraer, afirmou em fevereiro, no podcast norte-americano Technology Business Programming Network, que as janelas representavam um problema para a cadeia de suprimentos da fabricante brasileira.
“Se você perguntar à Embraer, perguntar ao (presidente da Aviação Executiva) Mike Amalfitano, perguntar por que as entregas estão atrasando, eles vão dizer que é por causa das janelas”, afirmou Ricci.
A Flexjet recusou-se a comentar.
A Embraer não respondeu aos repetidos pedidos de comentário.
Aéreas e fabricantes de aviões adotam medidas preventivas por escassez de componentes
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