Destaque do Bangu contra o Flamengo, Garrinsha sonha com dias melhores no Haiti: 'Seis anos sem ver minha famÃlia'
Haitiano batizado em homenagem à lenda do Botafogo e da seleção brasileira, Garrinsha Estinphile fez jus ao status de uma das principais contratações do Bangu para 2026. O atacante de 24 anos foi o nome da vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo, marcando um gol e dando uma assistência em Moça Bonita. Ele rechaça comparações com o craque da década de 1950 e 1960, mas admite que teve a "sorte dele" na noite de ontem.
— Eu não gosto muito de comparar, porque a gente sabe como que foi a história dele. O cara foi um gênio. Mas posso dizer que eu tive sorte, a sorte dele. Foi uma noite gratificante mesmo, pelo gol e a assistência — reconheceu Garrinsha na zona mista. — Eu não tinha como estrear melhor do que isso, graças a Deus. O mais importante é ter conseguido a vitória. Foi muito gratificante para mim.
A famÃlia do jogador está morando nos Estados Unidos, enquanto o Haiti vive uma crise polÃtica e de segurança sem precedentes — o presidente Jovenel Moise foi assassinado em 2021. Garrinsha revelou a saudade que sente dos parentes e disse que precisava ligar urgentemente para seu pai após o jogo.
— Ele estava acompanhando o jogo. Eu nem consegui ligar. Na hora que fui ligar para ele, me chamaram para fazer a coletiva. Mas já vi a ligação dele aqui. Sei que eles estão muito felizes, torcendo muito por mim. A saudade é muito grande, mas não tem outro jeito, temos que se sacrificar mesmo. Se Deus quiser, logo, logo, vamos estar junto — disse o haitiano.
Garrinsha comemorando gol contra o Flamengo no Carioca
João Gama/Bangu
Morando no Brasil desde 2020, quando deixou a famÃlia para trás e chegou para atuar no Pérolas Negras, clube do estado do Rio de Janeiro, Garrinsha torce para que a situação em seu paÃs natal mude, e outros jovens com talento também possam viver seu sonho no futebol.
— Eu sei de onde eu vim, é um paÃs com muita dificuldade, mas com muito talento. Infelizmente, desde que o presidente morreu, as coisas ficaram muito complicadas. Então, eu quero que os jovens de lá continuem seguindo os seus sonhos, e trabalhando muito, porque não tem como realizar nada sem trabalho — comentou.
— Futebol é um esporte muito difÃcil, porque pede muito sacrifÃcio. Eu posso dizer que eu sou um exemplo disso, estou há seis anos aqui no Brasil sem ver minha famÃlia. Tem que continuar trabalhando, focando, porque, se temos um objetivo, temos que passa por esse processo para conseguir o nosso propósito — finalizou.
Após ser destaque contra o Flamengo, Garrinsha se diz animado com a oportunidade de jogar a primeira divisão do Carioca pela primeira vez na carreira.
— Começar bem é muito importante para a minha carreira. A gente sabe a visibilidade do Campeonato Carioca. Eu nunca tive a oportunidade de jogar a Série A, minha primeira vez, começar desse jeito é muito bom. É só agradecer a Deus mesmo e continuar trabalhando. Em primeiro lugar, conseguir o objetivo do Bangu, que é classificar, e estar em um campeonato nacional no ano que vem.
