Deslocado por incêndio no Velódromo, Mundial de esgrima juvenil adaptou locais para finalizar competição no Rio; imagens

 

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O Campeonato Mundial Cadete e Juvenil de Esgrima Rio 2026 foi um dos eventos esportivos afetados pelo incêndio na cobertura do Velódromo do Parque Olímpico do Rio, na Barra, na última quarta-feira. Ainda assim, foi possível superar o imprevisto para a realização do término das disputas, após nove dias, na quinta-feira. Para isso, a organização precisou lidar com o deslocamento rápido de parte da estrutura que reunia 1.420 atletas de mais de 100 países, além de centenas de profissionais envolvidos diretamente na competição, entre eles 487 técnicos.

Velódromo pega fogo

Genilson Araújo

Interior do Velódromo durante o Mundial de esgrima juvenil, no Rio. Cobertura do local foi incendiada.

Divulgação / FIE

Dentro da pista, os Estados Unidos lideraram o quadro de medalhas, com 13 conquistas (6 ouros). Entre os destaques individuais estiveram a chinesa Pan Qimiao, com dois ouros no sabre, e a americana Jaelyn Liu, bicampeã no florete.

O Brasil teve como melhor resultado o 15º lugar no sabre feminino juvenil por equipes, além das campanhas de Marcus Pinto, que terminou duas vezes entre os 30 melhores do mundo.

Organização supera incêndio

Embora as disputas dentro das pistas tenham sido favoráveis ao time americano, o principal desafio do Mundial ocorreu fora delas, com o incêndio no Velódromo, uma das sedes da competição. Com isso, a organização brasileira precisou reorganizar a estrutura do evento em poucas horas.

As pistas de disputas foram redistribuídas, novos espaços foram realocados e adaptados na Arena Carioca 1 e, ainda assim, o cronograma foi mantido — com todas as disputas iniciando no horário previsto, sem prejuízo à competição.

Arena Carioca 1, local para o qual o Mundial juvenil de esgrima foi deslocado, ao lado do Velódromo

Divulgação / FIE

Arena Carioca 1, local para o qual o Mundial juvenil de esgrima foi deslocado, ao lado do Velódromo

Divulgação / FIE

O presidente da Confederação Brasileira de Esgrima (CBEsgrima), Arno Schneider, destacou o longo processo de preparação e os desafios superados com o incêndio.

— Esse Mundial começou a ser construído há mais de dois anos. Tivemos mudanças de sede, ajustes estruturais e, durante o evento, enfrentamos um incêndio. Ainda assim, conseguimos entregar uma competição segura, eficiente e de alto nível — disse.

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Schneider também ressaltou o papel da equipe e dos voluntários, dizendo que o empenho de todos os envolvidos "foi fundamental. Esse campeonato é resultado de um grande trabalho coletivo.”

Legado para o esporte

O presidente interino da Federação Internacional de Esgrima (FIE), Abdelmoneim El-Husseiny, destacou a atuação conjunta das equipes.

— A CBE agiu com rapidez e responsabilidade, trabalhando como um só time. A capacidade de realocar as competições com profissionalismo garantiu a segurança de todos e a continuidade das atividades sem interrupções — disse o presidente da FIE.

Espaço adaptado para disputa do Mundial de esgrima juvenil, no Rio, após incêndio no Velódromo

Divulgação / CBE

A gestora da FIE, Jennifer Yamin, ressaltou a execução do plano de contingência, elogiando o Brasil por ter demonstrado "exatamente o que buscamos em eventos desse nível: identificar o problema e resolvê-lo no tempo necessário. A execução foi impecável.”

Para o presidente da CBEsgrima, mais do que os resultados, o Mundial Rio 2026 reforçou a capacidade do Brasil de sediar grandes eventos esportivos, mesmo diante de situações adversas.

— Foi uma honra receber o mundo no Rio de Janeiro e mostrar a força da esgrima brasileira. Esse evento deixa um legado importante para o desenvolvimento do esporte no país — destacou a Schneider.

Judô também sofre com incêndio

O incêndio que atingiu o Velódromo do Parque Olímpico do Rio também provocou a mudança de local do Campeonato Super Estadual de Judô Rio 2026, que será realizado ali neste fim de semana.

O evento, transferido para a Arena Carioca 1, foi iniciado nesta sexta-feira e terminará no domingo, para garantir "a segurança de atletas, equipes, público e todos os profissionais envolvidos", segundo comunicado conjunto do Instituto Opus Vitae, da Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) e da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer.

"A mudança foi definida de forma conjunta pelas instituições organizadoras, em alinhamento com os órgãos competentes, visando assegurar a continuidade do evento com toda a estrutura necessária para a realização de uma competição de alto nível", diz a nota oficial.

Incêndio no Velódromo

A lona que cobre o Velódromo e o museu foi parcialmente destruída pelo fogo

Márcia Foletto/Agência O Globo

O incêndio no Velódromo começou durante a madrugada e chegou a ser controlado pelos bombeiros no começo da manhã. No entanto, por volta das 11h, as chamas voltaram a aparecer, com labaredas altas e uma densa fumaça preta. O fogo só voltou a ser controlado cerca de uma hora depois.

Cerca de 60 militares trabalharam para conter o incêndio e não há registro de feridos. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu o forro e parte da cobertura do Velódromo. A estrutura interna não foi comprometida.

O Rio Museu Olímpico, que funciona no andar superior do Velódromo, foi quase todo preservado. Apenas uma sala foi atingida "de forma parcial", segundo o prefeito Eduardo Cavaliere. As causas do incêndio ainda serão apuradas por uma perícia.