As palavras-chave desta campanha são engajamento e mobilização, afirma o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
Dados da pesquisa contratada pelo jornal O GLOBO e pela TV Globo, divulgada ontem, indicam que o eleitorado ainda está pouco interessado na disputa pela Presidência da República.
Segundo o cientista político, os números são especialmente preocupantes para Flávio Bolsonaro (PL), que não cativa a própria direita.
Isso fica evidente, observa Nunes, em uma pergunta inédita do questionário do instituto.
O presidente Lula (PT) é considerado um candidato melhor dentro das opções da esquerda do que Flávio no cardápio da direita.
Para 49% do total de entrevistados, o petista desponta como a opção ideal à esquerda.
Em relação ao filho de Jair Bolsonaro no campo político oposto, o percentual é de 33%.
— Essa é uma eleição em que o engajamento do eleitor da direita parece estar abaixo do engajamento do eleitor de Lula.
O de Lula está mais animado que o da direita — diz.
— Isso impacta a abstenção, que historicamente é um problema para Lula e agora Flávio também precisa enfrentar.
Essa é a novidade.
Chama atenção a leitura desse dado pelo recorte de posicionamento político.
Na esquerda não lulista, o presidente é classificado por 79% como o ideal, e apenas 20% dizem que ele não é o mais adequado.
Na direita não bolsonarista, 50% colocam o senador nessa posição, e 45% gostariam de outro nome.
— A aprovação ao governo está caindo, a competitividade está diminuindo em relação a Flávio, mas Lula mantém a base firme.
No caso de Flávio, a discussão é que o eleitor da direita está dizendo que vota nele mesmo estando desanimado.
A dúvida é se esse povo vai comparecer ou não no dia do voto — avalia.
— É, para mim, uma eleição em que a mobilização vai explicar mais que a razão.
Na nova pesquisa, apenas 37% se dizem muito interessados na eleição; 40% estão pouco interessados, e 22% nada interessados.
Fator Cury
O escritor Augusto Cury (Avante), observa o diretor da Quaest, não deixa de ser um produto dessa baixa mobilização.
Especialmente porque sua fortaleza para crescer foi o eleitorado independente, que registra desinteresse pela eleição acima da média geral.
— É alguém que está, digamos assim, “buscando a paz” — diz.
— Os números sugerem que vai ser muito difícil para Cury entrar no eleitor bolsonarista ou no lulista, que estão calcificados.
Mas tem possibilidade de crescer na direita e na esquerda, principalmente na direita, cujo eleitor não está empolgado com Flávio.
Lula tem que segurar a base dele, e Flávio tem que animar a direita.
Com 10% das intenções de voto no primeiro turno, o psiquiatra marca 24% entre os independentes e é o líder do primeiro turno dentro do segmento em empate técnico com Lula, que tem 21%.
No segundo turno, projeção na qual é derrotado para o petista por seis pontos, vence dele nos independentes por 36% a 28%.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-07065/2026.
