"Desfecho positivo”: piloto detalha pane e pouso forçado no mar da Barra

 

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Após realizar um pouso de emergência no mar da Barra da Tijuca, na última sexta-feira, o policial civil e piloto de helicóptero Adonis Lopes de Oliveira relatou, em suas redes sociais, os momentos de tensão vividos durante o voo com um casal de turistas canadenses. Em publicação acompanhada de uma foto ao lado dos passageiros, ele destacou a rapidez na tomada de decisão e o desfecho sem vítimas.

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— Na ocasião, realizava um voo panorâmico com dois turistas canadenses quando, no retorno à base, ocorreu uma pane — escreveu.

Segundo ele, diante da falha, foi necessário executar uma manobra de emergência conhecida como autorrotação, procedimento que permite pousar a aeronave mesmo sem o funcionamento do motor.

O piloto explicou ainda que, ao identificar o problema, ainda tentou alcançar uma área em terra firme, mas avaliou que não seria possível chegar com segurança até a faixa de areia.

— A grande concentração de banhistas tornaria a aproximação insegura para terceiros”, afirmou. Diante disso, optou por conduzir o helicóptero até um ponto no mar o mais próximo possível da praia. Essa decisão foi fundamental para o desfecho positivo da ocorrência. Conseguimos sair da aeronave com segurança — contou.

Na publicação, o piloto também fez questão de agradecer às pessoas que ajudaram no socorro imediato. Entre eles, um surfista — descrito como amigo de longa data — e os guarda-vidas que atuavam na região. “Demonstraram prontidão e coragem”, destacou. Ele ainda citou o trabalho do Corpo de Bombeiros, ressaltando a chegada rápida das equipes de emergência e o atendimento prestado no local.

Apesar do susto, Adonis reforçou a segurança da aviação e afirmou que pretende retomar as atividades após cumprir os protocolos exigidos: — Voar de helicóptero continua sendo um dos meios de transporte mais seguros. Seguimos em frente, com ainda mais responsabilidade, respeito à aviação e gratidão pela vida — escreveu.

Ele acrescentou que, assim que concluir as exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para revalidação da licença, voltará a pilotar.

Adonis, que já integrou a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), é conhecido pela técnica em voos. Em 2021, ele chegou a ser mantido refém ao cair uma armação de criminosos: foi chamado para um transporte em Angra dos Reis, mas, no local, descobriu que os contratantes queriam ir para o complexo penitenciário de Gericinó.

Morte de Matemático

O policial Adonis foi quem pilotava o helicóptero em ação que resultou na morte do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, em 11 de maio de 2012. Chefe do tráfico na Favela da Coreia, em Bangu, ele era considerado um dos criminosos mais perigosos do Rio, além de ser um dos mais procurados.

Na ocasião, ele dirigia um Renault Logan quando foi atingido nas costas e no joelho por tiros disparados por policiais civis que estavam no helicóptero. Gravemente ferido, o criminoso foi socorrido por cúmplices e levado para o interior da Favela da Coreia, em Bangu, onde aconteceu a operação. O corpo, no entanto, foi encontrado na manhã seguinte, dentro de um carro e em frente a uma escola do bairro.

No ano seguinte, a corregedoria da Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a ação, considerando que ela expôs ao risco moradores da comunidade. Em entrevistas naquele momento, Adonis reforçou que os agentes tinham certeza que o criminoso perseguido era Matemático.