Desemprego recua, mas criação de empregos formais desacelera; entenda

 

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O Brasil registrou taxa de desemprego de 5,1%, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (30). O resultado representa um recuo de um ponto percentual na comparação com o total alcançado em 2024, quando o desemprego foi de 6,6%. Na quinta-feira (29), o Ministério do Trabalho e Emprego informou que o Brasil criou 1,28 milhão de empregos com carteira assinada em 2025, o menor número desde 2020.

Brasil cria 1,28 milhão de empregos formais em 2025, aponta Caged

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Para analisar esses números, o Jornal da CBN recebeu Vinicius Pinheiro, economista e diretor do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil. Ele explicou que os dois indicadores medem aspectos diferentes do mercado de trabalho: o IBGE considera todo o universo de ocupações — formais, informais, autônomos e empresários — enquanto o Ministério do Trabalho contabiliza apenas empregos formais.

"O dado do Ministério do Trabalho serve de termômetro, porque ele vê emprego com carteira, o que dá também uma visão muito clara de como evolui não somente a quantidade do emprego, mas a qualidade do emprego."

O economista também relacionou o desempenho do mercado de trabalho à política de juros. Setores como a indústria foram impactados por restrições de liquidez e incertezas sobre investimentos.

"A política monetária tem um impacto direto sobre o setor produtivo. Se nós virmos, por exemplo, os setores que mais frustraram em relação ao crescimento de emprego está a indústria (...) Então, isso significa que é um problema de liquidez, que pode estar atribuído à questão da política monetária, mas também há vários outros aspectos institucionais, inclusive incertezas em relação ao investimento."

Sobre a expectativa de redução da taxa de juros pelo Banco Central, Vinicius Pinheiro alertou que o efeito sobre a criação de empregos não é imediato.

"O reflexo não é imediato, porque a partir do momento em que há uma sinalização, em termos de política monetária e de política de juros, até que isso afete a decisão de investimento e a decisão de investimento se transforme em emprego, há um delay, um período que pode ser seis meses, sete ou oito meses. Então não é imediato."