Desembargador desaparecido é encontrado morto nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca

 

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O desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho foi encontrado morto na tarde desta terça-feira nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca. O corpo foi localizado por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Polícia Civil, não havia sinais aparentes de violência. A perícia foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). As circunstâncias da morte ainda são investigadas.

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Ele estava desaparecido há mais de um mês. O caso, revelado pelo colunista Lauro Jardim, mobilizou o alto escalão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) e foi acompanhado de perto pela Polícia Civil do Rio.

Nos bastidores do órgão, o caso era tratado com preocupação. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do tribunal estava realizando reuniões semanais com os investigadores da Polícia Civil para acompanhar o andamento das apurações.

O magistrado tinha sido visto pela última vez no dia 14 de abril. De acordo com as investigações, naquele dia ele sacou R$ 1 mil e embarcou em um táxi com destino à Vista Chinesa, tradicional mirante da cidade localizado na Floresta da Tijuca, no fim da tarde. Desde então, não haviam mais notícias sobre seu paradeiro.

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Na última quarta-feira, a família do desembargador realizou uma missa em homenagem a ele na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca, Zona Norte da cidade. O GLOBO esteve na igreja e conversou com o irmão de Alcides, o contador aposentado José Paulo Martins Ribeiro, de 67 anos, que contou que a informação sobre o último destino do magistrado foi repassada à polícia pelo taxista.

— Ele mora em Ipanema, mas, no dia, estava a passeio na Tijuca, onde pegou um táxi na em direção à Vista Chinesa. Um dia após registrarmos o caso, a Polícia Civil identificou o táxi e o taxista, que passou a informação sobre o destino do meu irmão. Isso foi muito importante — relatou José na ocasião.

Um cartaz chegou a ser produzido para ser distribuído às dezenas de pessoas esperadas na missa. A peça continha dados como o nome completo do desembargador, o destino no dia do desaparecimento, a data do sumiço, a roupa que estava usando (calça e casaco pretos), contatos da DDPA e do Disque Denúncia e um pedido: “Compartilhe essa informação”.

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— Estamos bastante tristes com tudo isso. Eu estou muito tenso. A minha sensação é como se eu fosse fazer um tratamento de saúde e estivesse na expectativa do resultado. Então, estou muito abalado. A minha saúde não está muito boa. Estou com a cabeça carregada e com a alimentação prejudicada. Não estou comendo direito — contou o irmão, sem conter as lágrimas, e mostrando esperança: — Apesar da tensão, acredito num desfecho positivo.

Separado, o desembargador, de 64 anos, tem três filhos: uma mulher, um homem e uma menina de 8 anos.

Afastamento por suspeita de agressão à ex-mulher

Em maio do ano passado, o desembargador foi afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça por suspeita de agressões contra a ex-mulher. Na ocasião, ele chegou a ser levado algemado para a delegacia.

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— Uma hora vai sair o resultado na Justiça sobre esse caso. E eu tenho certeza de que será favorável a ele. Não é verdade que ele é um cara violento — observou o irmão na semana passada. — Por conta desse caso, ele está há um ano sem ver sua filha caçula. Está impedido de se aproximar. E isso mexeu profundamente com o psicológico dele.

José suspeita que o sumiço de Alcides possa ser uma fuga para amenizar a tensão causada pela situação.

— Ouvi uma vez a seguinte frase: “Às vezes, ficar calado ao lado de alguém significa respeito, carinho e compreensão". O meu irmão, neste momento, está precisando de paz, silêncio e mais empatia — destacou.

O que diz a defesa da ex-mulher

Procurada, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que, neste caso, atua como assistente qualificada da ex-mulher do desembargador federal, afirmou que ela foi vítima de violência doméstica e familiar.

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O órgão destacou ainda que o magistrado "foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pela prática de crimes relacionados à violência doméstica e outros tipos penais. O processo tramita em segredo de justiça perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deferiu medida protetiva de urgência em favor da vítima", disse, em nota.

"A Instituição reafirma seu compromisso com a proteção integral das mulheres em situação de violência e repudia qualquer tentativa de culpabilização ou revitimização da assistida, ainda que no contexto de um cenário aflitivo como o do desaparecimento do desembargador federal", ressaltou a defensoria.

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