Desde janeiro, mais de 30 policiais foram alvos de prisão no Rio de Janeiro
Vinte e três policiais sendo alvos de prisão em 24 horas. A marca alcançada entre segunda (9) e terça-feira (10) aumenta a lista de agentes da segurança que foram pra cadeia desde janeiro deste ano no Estado do Rio de Janeiro: até agora, foram ao menos 31.
Delegado preso no Rio por extorquir traficantes tem histórico de polêmicas, incluindo investigação de 'pombocÃdio'
Entornos da Rodoviária Novo Rio e do Jardim de Alah serão os dois primeiros locais de atuação dos agentes da Força Municipal de Segurança
Nos últimos dois dias, três operações distintas visaram a cumprir mais de 20 mandados de prisão contra policiais — entre delegados, policiais civis, militares e penais, tanto na ativa quanto aposentados. Além desses, desde o inÃcio de 2026, ao menos oito foram presos em outras situações. Relembre os casos abaixo.
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10 de março: 22 alvos
MPRJ faz operação para prender 19 policiais ligados ao bicheiro Rogério de Andrade
Divulgação
Na manhã de terça-feira (10), foram deflagradas duas operações que tinham como objetivo cumprir mandados de prisão contra policiais. A PolÃcia Federal deflagrou a Operação Anomalia II, que teve como alvo um núcleo criminoso formado por policiais civis do Rio e operadores financeiros.
Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra três agentes de segurança: um delegado da PolÃcia Civil, Marcus Henrique de Oliveira Alves — que já foi alvo de outras polêmicas, como um pombicÃdio e o Caso Staheli —, e outros dois policiais civis (Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus), por utilizarem uma delegacia para extorquir traficantes do Comando Vermelho (CV).
Ainda na manhã desta terça (10), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Publico do Rio (MPRJ) denunciou 19 agentes de segurança que seriam integrantes do núcleo de segurança do bicheiro Rogério de Andrade: 9 PMs da ativa, 7 PMs da reserva, 1 policial penal, 1 ex-policial penal e 1 ex-policial civil. Até a noite de ontem, 15 já tinham sido presos.
9 de março: 1 preso
Na manhã de segunda-feira (9), foi a vez de o delegado federal Fabrizio José Romano, da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários, ser preso, na primeira parte da Operação Anomalia. De acordo com a investigação da PolÃcia Federal, ele é suspeito de favorecimento para um traficante internacional de drogas.
Nessa mesma segunda (9), também foi cumprido um mandado de prisão contra o ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena. Ele e Romano teriam recebido propina de uma advogada — que também foi presa — para interferir no processo de extradição do traficante holandês Gerel Lusiano Palm, de 38 anos, preso em 2021, no Rio, por tentativa de homicÃdio, porte ilegal de armas e tráfico de drogas.
5 de março: 3 presos
Rogério Vieira Guimarães, Joás Ramos do Nascimento e Denis Willians Neres Alpoim
Reprodução / TV Globo
No último dia 5 de março, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou os policiais militares Joás Ramos do Nascimento, Denis Willians Neres Alpoim e Rogério Vieira Guimarães por um assalto a ônibus em Duque de Caxias, que aconteceu em maio do ano passado.
Eles abordaram um ônibus de turismo no Arco Metropolitano, em uma viatura com a sirene desligada, e acompanhados de um carro à paisana com outros quatro elementos ainda não identificados.
Na ocasião, os policiais confiscaram 11 iPhones transportados por dois comerciantes, que tinham saÃdo de São Paulo, com destino a Campos dos Goytacazes. A justificativa é de que os homens não teriam as notas fiscais dos produtos, mas, de acordo com as testemunhas, os policiais teriam se negado a levar os comerciantes e os celulares à delegacia.
Durante as prisões dos três policiais, foram encontrados dois aparelhos: um era utilizado por um dos agentes e o outro por sua esposa.
26 de fevereiro: 1 preso
Diego D’arribada Rebello de Lima foi preso junto com Adilsinho, em Cabo Frio
Reprodução/TV Globo
Na manhã do dia 26 de fevereiro, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi preso durante uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), com atuação da PolÃcia Federal e da PolÃcia Civil, em uma residência na Região dos Lagos.
Com ele, estava Diego D’arribada Rebello de Lima. Lotado na Unidade de PolÃcia Pacificadora (UPP) da Fazendinha, no Complexo do Alemão, o policial militar entrou na corporação em 2019 e não possuÃa registros disciplinares. Segundo a investigação, ele atuava como segurança de Adilsinho.
6 de fevereiro: 1 preso
O capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa
Reprodução
Foi dentro do 20º Batalhão da PM, em Mesquita, que o capitão da PolÃcia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa foi preso por agentes da Corregedoria da corporação. Ele foi acusado, pelo Gaeco do MPRJ, de negociar com traficantes do Comando Vermelho (CV).
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro e cumprida na tarde do dia 6 de fevereiro, uma sexta-feira. As suspeitas contra o capitão começaram após a circulação de um áudio atribuÃdo a ele em redes sociais. Segundo a investigação, na gravação, Alessander negociava com traficantes do CV a retirada de barricadas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
5 de fevereiro: 1 preso
PM preso dentro do batalhão de Bonsucesso
Reprodução
No dia 5 de fevereiro, outro policial militar foi preso dentro de um batalhão. Lucas de Sousa Mathias, de 31 anos, foi detido no 22º BPM, em Bonsucesso, onde trabalhava, acusado de estuprar, roubar e extorquir uma jovem em Maricá, Região Metropolitana do Rio.
O pedido de prisão, expedido pelo 2º JuÃzo das Garantias de Niterói, foi cumprido por agentes da 82ª DP (Maricá) e da Corregedoria da PolÃcia Militar.
O crime teria acontecido na madrugada do dia 4 de janeiro, quando Lucas e um comparsa, Dayvid Novato Santana, invadiram a casa da vÃtima para cobrar uma dÃvida de agiotagem. De acordo com a investigação, a dupla, armada, sequestrou a jovem, a obrigou a ingerir bebidas alcoólicas e a levou para um local ermo no bairro Limão, onde a vÃtima foi abusada sexualmente.
29 de janeiro: 2 presos
Os PMs Carlos André Carneiro de Souza e Marcos Antonio de Oliveira Machado, presos em operação do Ministério Público do Rio
Reproduções
O primeiro caso noticiado de prisão de policiais no Rio em 2026 aconteceu em janeiro. No dia 29 daquele mês, uma quinta-feira, dois policiais militares aposentados foram presos durante a Operação Pretorianos, do Ministério Público do Rio (MPRJ).
Marcos Antonio de Oliveira Machado, conhecido como Machado, e Carlos André Carneiro de Souza, o Carneiro, são acusados de integrar a organização criminosa do bicheiro Rogério de Andrade e fazer a segurança de pontos de exploração de máquinas caça-nÃqueis e outras atividades ilÃcitas.
Eles também teriam subornado um PM da ativa com o intuito de obter informações sigilosas sobre futuras operações policiais, além de indicar estabelecimentos de jogos ilegais de criminosos rivais para serem alvos de ações policiais.
