'Desconfie de tudo e de todos': como se proteger de golpes digitais
O medo da violência alterou a rotina de 57% dos brasileiros no último ano e tem impactado a vida de muito mais mulheres do que homens brasileiros. Segundo pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada nesta semana, 96% dos entrevistados disseram ter medo de pelo menos uma situação de violência. Entre os principais receios estão cair em golpes digitais, ser roubado à mão armada, morrer durante um assalto ou ter o celular furtado.
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Em entrevista ao Jornal da CBN, Fabio Diniz, presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), fala sobre o dado de golpes digitais preocuparem 83% da população. O especialista dá dicas sobre como evitar fraudes na internet e o que fazer se cair em uma armadilha virtual.
Para o especialista, existe uma fragilidade ainda na maneira como nós tratamos a nossa segurança digital, com um descompasso entre a velocidade de adoção das tecnologias na nossa vida e o nosso letramento digital, nossa capacidade de entender de onde vêm as ameaças e como se prevenir e também o que fazer se algo acontecer.
Fabio Diniz defende que o maior problema não é tecnológico, e sim a questão psicológica da vítima, já que apesar do uso crescente de inteligência artificial e de tecnologias para cometimento de golpes, a engenharia social ainda é a forma mais eficiente aplicada pelos golpistas. Por isso, o mais importante é desconfiar.
"Ela faz com que as pessoas tenham comportamentos que não teriam em condições normais. Então, eu sempre falo: se você quer se proteger, você precisa, antes de tudo, desconfiar. Infelizmente, esse é o cenário que a gente vive hoje. Desconfie de tudo e de todos. E os ajustes de comportamento são importantes para que você possa minimizar a chance de cair num golpe."
Entre os golpes mais comuns hoje em dia, o especialista destaca o uso de links pelos criminosos, que roubam informações das vítimas quando clicam. Por isso, é preciso cuidado ao acessar os links, desconfiando de mensagens suspeitas.
"A outra parte, a pessoa, a vítima, precisa fazer a parte dela. Se ela não fizer a parte dela, o criminoso não consegue realizar o golpe. Diferente de um roubo de rua, que ele atua e com uma arma de fogo, por exemplo, rouba um celular, você não precisa da condutativa da vítima, mas no estelionato, sim."
O especialista alerta que o ideal é não clicar em links enviados por e-mail, WhatsApp ou SMS. "Busque você os canais oficiais e faça você o contato".
Sobre o roubo de celulares e acesso às contas bancárias da vítima, o presidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime alerta que os criminosos geralmente não invadem as contas bancárias por via tecnológica, hackeando o telefone, e sim utilizando as informações deixadas pelo dono do aparelho.
"Quando eles pegam um celular roubado, por exemplo, eles vão no campo de busca, de procura do telefone e digitam senha. E as pessoas anotam as senhas de cartão, de banco, de serviços digitais no próprio aparelho, muitas vezes no bloco de anotações do aparelho, e aí o golpista consegue pegar. Alguns cuidados, como não anotar senha em lugar nenhum, que não seja um repositório de senhas, já minimiza bastante esse problema."
Outra ação dos criminosos é se aproveitar do recurso de recuperações de senhas, cuja maioria é ativado por SMS. Se o golpista está com o celular da vítima na mão, pede a recuperação de senha e recebe o código SMS que vai liberar seu acesso.
Desconfiar da urgência e confirmar identidade
"Toda vez que tem urgência, fique atento: ela acaba induzindo ao erro, porque você age sem avaliar a situação", explica o especialista. "Eu brinco que tem uma regra dos 30 segundos quando você recebe uma solicitação: se você parar por 30 segundos para pensar se aquilo faz sentido, muitas vezes você já não vai cair no golpe."
Outra dica é confirmar o contato e a identidade da pessoa por outro canal.
"Estão te acessando por um canal, você tem condições de validar aquele contato por outro canal. Então, se entrarem em contato pelo WhatsApp dizendo ser do banco, por exemplo, busca o contato pela linha fixa do banco. Há outros canais para serem verificados."
Ativar uma segunda camada de proteção em todas as suas contas digitais também pode te salvar de golpes, com o famoso "segundo fator de autenticação".
"Então, você entra com o usuário, com uma senha, e o que é o segundo fator de autenticação? Quando você, apesar de ter digitado o seu usuário e sua senha, volta uma mensagem para você pedindo algum dado a mais, um código que você vai usar no celular, num aplicativo de autenticação. Se você tem isso, você já consegue minimizar bastante também a invasão das suas contas."
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