Descoberta rara na China encontra fóssil de dinossauro herbívoro com pele e espinhos intactos

 

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Desde o século XIX, os iguanodontes ajudaram a moldar a imagem clássica dos grandes dinossauros herbívoros. Agora, um fóssil encontrado na China obriga a ciência a repensar esse retrato ao revelar uma adaptação jamais documentada: espinhos cutâneos distribuídos pela pele, com possível função defensiva, sensorial e térmica.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), a partir de restos excepcionalmente preservados de um iguanodonte juvenil que viveu há cerca de 125 milhões de anos, no Cretáceo Inferior. O estudo foi publicado, na sexta-feria (6), na revista Nature Ecology & Evolution e descreve uma nova espécie, batizada de Haolong dongi, em homenagem ao paleontólogo chinês Dong Zhiming.

Pele fossilizada muda o que se sabia sobre os iguanodontes

O material analisado inclui um esqueleto quase completo e articulado, acompanhado por extensas áreas de pele fossilizada, um achado raro, já que tecidos moles costumam se decompor rapidamente após a morte. Segundo o CNRS, essa preservação extraordinária permitiu observar a microestrutura da pele e até células cutâneas preservadas em nível microscópico.

De acordo com os pesquisadores, o tegumento apresenta grandes escamas sobrepostas ao longo da cauda e escamas menores no pescoço e no tórax, diferentes das descritas em outros iguanodontes. Entre essas escamas, foram identificados espinhos cutâneos ocos, preservados até o nível celular. “Até agora, não havia evidências que comprovassem a existência de tais espinhos em dinossauros”, afirmou o CNRS em comunicado.

As análises, feitas com tomografias de raios X de alta resolução e cortes histológicos, mostraram que os espinhos eram formados por uma estrutura cilíndrica oca, composta por uma camada externa queratinizada envolvendo uma epiderme multicamadas e uma polpa dérmica central porosa. Segundo os autores, essas estruturas diferem tanto das protopenas conhecidas em dinossauros não-avianos quanto dos espinhos de répteis modernos, sugerindo uma origem evolutiva distinta.

Especialistas interpretam que a morfologia e a distribuição desses espinhos indicam um papel central na dissuasão de predadores, especialmente considerando que o espécime era juvenil e ainda não havia atingido o grande porte típico dos iguanodontes adultos, que podiam chegar a dez metros de comprimento. Os pesquisadores também levantam hipóteses secundárias, como funções na termorregulação ou na percepção sensorial.

O estudo amplia significativamente o entendimento sobre a diversidade de estratégias defensivas entre dinossauros herbívoros, tradicionalmente associadas a grande tamanho corporal, caudas musculosas ou ornamentos ósseos. Ao mesmo tempo, levanta novas questões: como o exemplar analisado era jovem, ainda não se sabe se esses espinhos persistiam na fase adulta. “Resta determinar se essas estruturas também estavam presentes em adultos”, observou o CNRS.

Além de redefinir o que se sabia sobre os iguanodontes, a descoberta reforça a importância do nordeste da China para a paleontologia moderna. A região tem revelado fósseis com níveis de preservação excepcionais, oferecendo novas pistas sobre a ecologia, a evolução e as estratégias de sobrevivência dos dinossauros no Cretáceo Inferior.