Desce a Gal, sobe a Clarice
A entrega do roteiro de um filme novo me deixou alguns meses de castigo no escritório, com o calendário pendurado na frente, cometendo a deselegância de me lembrar do cronograma apertado todos os dias. O isolamento deu a sensação de estar mergulhado em um aquário, isolado do mundo lá fora. A concentração foi tamanha que comecei a ouvir um barulho esquisito, como um estalar de lenha na fogueira. Mas isso não faz sentido, pensei, aqui dentro só tem livros. Livros e eu. O sprint final dos últimos dias para cruzar a linha de chegada poderia ter danificado os meus ossos a ponto de eles estarem estalando, depois de horas sentado? Poderia, mas não era. Em um certo momento, virou uma obsessão, questão de honra: de onde vem esse barulho? Eis que pinta o palpite óbvio: quem sustenta os livros? Gostaria que alguém tivesse filmado a cara de choque que devo ter feito diante das prateleiras de madeira envergadas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
