Descarga elétrica em Copacabana: causa do choque em alagamento ainda é desconhecida

 

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Ainda não se sabe o que provocou o choque elétrico que deixou duas pessoas feridas durante um alagamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, na noite desta segunda-feira. Nem a RioLuz, responsável pela iluminação pública, nem a concessionária Light identificaram falhas em equipamentos ou na rede elétrica na região. O caso ocorreu na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, em meio à forte chuva que atingiu a cidade.

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Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento de desespero onde uma mulher aparece caída na água, no meio do cruzamento alagado. Um homem, que estava do outro lado da rua, corre para tentar ajudá-la, acreditando que ela estivesse se afogando. Ao encostar nela, no entanto, ele também recebe a descarga elétrica e cai ao lado da vítima, ficando preso à corrente.

Testemunhas relatam que as pessoas que se aproximavam para socorrer a dupla também levavam choques, já que a água estava energizada. A mulher só conseguiu ser retirada da área de risco quando foi puxada pelo cabelo por uma familiar, com quem estava e que, segundo relatos, não falava português. A cena só começou a mudar quando um educador físico, que passava pelo local, iniciou as manobras de reanimação.

— Eu ouvi alguns gritos, a rua encheu muito rápido e gritavam “é choque, é choque”. Muitas pessoas correndo e os gritos não paravam. Quando eu me aproximei, vi que a moça tava presa no chão — contou Edgar, dono de uma academia na região ao RJ1.

Segundo ele, o homem que também ficou ferido havia tentado socorrer a mulher.

— O rapaz foi tentar ajudar ela e ficou preso também, mas conseguiu se soltar e ela apagou. Quando ela conseguiu se solta. Aí eu comecei a reanimar ela — relatou.

Edgar afirmou que fez massagem cardíaca por cerca de dez minutos, até a chegada dos bombeiros.

— Quando o bombeiro chegou, ela já estava consciente, mas foi tenso, muito tenso. Eu fiz o meu melhor dentro do meu possível e no final deu tudo certo. A melhor parte de tudo foi depois de tanto tempo desacordada, foi eu ver um sorriso daquela pessoa

O outro ferido, identificado como Felipe Dias de Castro Souza, contou que está em situação de rua e atravessou a rua para ajudar a mulher, sem saber que havia corrente elétrica na água.

— Eu achei que ela tava se afogando, eu vim correndo. Na hora que eu tentei pegar na mão dela, fiquei agarrado no choque. Fiquei me batendo um tempão, prendendo minha perna. Depois de um tempão eu consegui sair e conseguiram me puxar — disse.

— Foi uma boa ajuda, na hora, foi difícil para caramba. Não sei como eu não morri. Ela também. Foi Deus mesmo. Ainda tô me sentindo meio fraco, mancando, ontem não conseguia mexer a perna — falou.

Os dois foram socorridos com ferimentos moderados, segundo o Corpo de Bombeiros, e se recuperam bem.

Em entrevista ao RJ1, o major Fábio Contreiras orientou que, em situações semelhantes, o ideal é não tentar tocar na vítima.

— Se você observar uma pessoa que tenha sofrido um choque elétrico dentro da água, o ideal é jamais tentar tocá-la ou puxá-la. A água pode estar energizada e você também vai ser atingido. Nesse caso, vão ser duas vítimas. O protocolo ideal é se manter afastado e acionar o Corpo de Bombeiros e a concessionária de energia elétrica — explicou.

A chuva forte provocou alagamentos em vários pontos da cidade, e o Centro de Operações colocou o município em estágio 3 às 19h24. A ocorrência em Copacabana foi registrada no momento em que a água se acumulava na esquina onde as vítimas foram atingidas.