Desaparecimento em Bacabal: menino encontrado não sofreu violência sexual, diz governo do MA

 

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O governador do Maranhão, Carlos Brandão, informou nesta terça-feira (13) que Wanderson Kauã, de 8 anos, não sofreu violência sexual durante o período em que ficou desaparecido na mata. O menino sumiu no domingo (4) ao lado dos primos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no povoado de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, e foi encontrado nu e sozinho por um carroceiro na quarta-feira (7).

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Em publicação nas redes sociais, Brandão afirmou que exames foram realizados e atestaram que o menino não foi abusado sexualmente. Wanderson Kauã segue internado no Hospital Geral de Bacabal, sob acompanhamento multiprofissional.

“Uma equipe do Instituto de Perícia da Criança e do Adolescente (IPCA) conduz, com técnica e sensibilidade, a escuta especializada do menino”, afirmou o governador.

A publicação do governador do Maranhão, Carlos Brandão, sobre o resultado dos exames de Wanderson Kauã

Reprodução

Na quarta-feira, Wanderson Kauã foi localizado com vida no povoado de Santa Rosa, área vizinha — a cerca de quatro quilômetros — do local onde havia desaparecido com os primos. Ele estava nu e apresentava escoriações no corpo compatíveis com o período em que permaneceu perdido na mata.

Um dia antes de Wanderson Kauã ser encontrado, um homem cuja identidade não foi revelada foi detido em Bacabal durante o cumprimento de um mandado expedido após denúncia de tentativa de estupro contra uma adolescente de 16 anos. Segundo a polícia, a prisão não tem relação com o caso do desaparecimento, apesar de o suspeito ser companheiro da avó de uma das crianças.

Por volta das 11h de quinta-feira, o Corpo de Bombeiros encontrou uma sandália e um calção em um local próximo de onde o menino foi encontrado. Posteriormente, a Polícia Civil confirmou que eram de Wanderson Kauã. Já na manhã de domingo (11), outras peças de roupa que ainda passarão por análise foram encontradas.

Desaparecidos há 10 dias

Os irmãos Ágata Isabelle, de 6 anos, Allan Michael, de 4, seguem desaparecidos em Bacabal, no Maranhão

Reprodução / Redes sociais

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelle e Allan Michael completou dez dias nesta terça-feira (13). As crianças saíram de casa para brincar e foram vistas pela última vez às 16h de domingo (4), acompanhadas do primo, no povoado de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão. A região é uma área quilombola cercada por mata fechada, espinhos e áreas alagadas, o que dificulta as buscas.

Nas redes sociais, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa, informou que a estrutura de apoio aos agentes e voluntários foi reforçada, com aumento no fornecimento de alimentos e melhoria na logística do sinal de internet. Segundo ele, o número de pessoas envolvidas na força-tarefa aumentou, com ocupação de toda a área de mata.

— Nós estamos muito esperançosos. O número de homens aumentou, assim como o de voluntários, e eles conseguiram ocupar toda a área de mata onde as crianças possivelmente desapareceram. Vamos alcançar o nosso objetivo: trazer a Isabelle e o Michael de volta para junto de seus familiares — afirmou o prefeito.

Na sexta-feira (9), Costa anunciou uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer uma “informação correta” sobre a localização de Ágatha Isabelle e Allan Michael. Ele explicou que, após uma semana de desaparecimento, as buscas entraram em um “momento crucial” e que “cada minuto pode garantir a vida” das crianças.

A força-tarefa na área quilombola é composta por policiais civis e militares, Corpo de Bombeiros e Força Estadual Integrada de Segurança Pública. O grupo passou a contar também com o apoio do Exército Brasileiro e do Batalhão Ambiental. As buscas contam com auxílio de cães farejadores, drones para varreduras na região, dois helicópteros e câmeras térmicas.

Buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal, no Maranhão, contam com drones e câmeras térmicas

Reprodução

Na tarde desta terça-feira (13), oficiais envolvidos na operação participaram de uma reunião com Célio Roberto Araújo, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, para definir estratégias e ações de suporte às equipes em campo.

“Alinhamos pontos importantes que irão nortear, a partir de agora, o apoio logístico, operacional e humano às guarnições empregadas na operação, com o objetivo de fortalecer o trabalho em campo e ampliar a eficiência das buscas”, escreveu o comandante-geral.

*Estagiária sob supervisão de Daniela Dariano